Blog da Morango http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela! Mon, 20 Nov 2017 06:00:16 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Dia da Memória Trans: por que essa deveria ser importante para o Brasil http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/11/20/dia-da-memoria-trans-por-que-essa-deveria-ser-importante-para-o-brasil/ http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/11/20/dia-da-memoria-trans-por-que-essa-deveria-ser-importante-para-o-brasil/#respond Mon, 20 Nov 2017 06:00:16 +0000 http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/?p=2800

Rita Hester era uma dançarina americana, negra e transexual. Carismática, amada pela família e querida pelos vizinhos, ela vivia em Boston, nos Estados Unidos. Foi morta com 20 facadas em seu apartamento dois dias antes de completar 35 anos. O local não tinha sinais de arrombamento e nada havia sido levado. A brutalidade empregada no assassinato e o fato de nenhum objeto de valor ou dinheiro ter sido levado fizeram a comunidade LGBT americana considerar esse um crime de ódio. Nenhum suspeito foi preso, e a mídia se referiu a Rita como homem, numa demonstração de desrespeito à dignidade da vítima.

O crime cometido contra a dançarina aconteceu há 19 anos e ficou impune. Mas sua lembrança foi preservada por um movimento de ativistas liderado por Gwendolyn Ann Smith, também mulher transgênera, para visibilizar o massacre das pessoas trans. Com manifestações nas redes sociais, marchas, procissões com velas, leitura de nomes dos mortos, exposições e palestras, a data foi ganhando repercussão e reconhecimento em todo o mundo como o Dia Internacional da Memória Transgênera, um dia, segundo Gwendolyn, “em que honramos aqueles que perdemos e continuamos a lutar por todos”.

Brasil é o país que mais mata trans

No ano passado, entidades em prol dos direitos humanos e LGBTs dos Estados Unidos elencaram 23 assassinatos de pessoas travestis e transexuais naquele país. Em 2017 o número subiu para 25.

No Brasil, onde mais se mata travestis e transexuais – metade de todos esses homicídios do mundo acontece aqui – foram 144 assassinatos só em 2016, e mais 160 neste ano, de acordo com o mapeamento diário da Associação Nacional de Travestis e Transexuais, a ANTRA. Uma travesti ou um transexual é assassinado a cada dois dias em nosso país e esse número pode ser ainda maior, já que os dados compilados pela ANTRA são dos casos que chegam à mídia. As mortes que não são noticiadas pela imprensa ou são subnotificadas, quando as identidades de gênero e os nomes sociais das vítimas não são respeitados, sequer aparecem nesse levantamento. Os assassinos raramente são encontrados e quase nunca levados à justiça.

Violência contra trans começa cedo

A violência às pessoas travestis e transexuais começa cedo, em casa, na vizinhança, na escola e se espalha pela sociedade. Vítimas de bullying, preconceito e agressões físicas – quando não fatais -, essas pessoas são comumente marginalizadas. Em sua maioria jovens e com pouca escolaridade, têm oportunidades de emprego limitadas e são impelidos a viver e trabalhar nas ruas, ficando ainda mais suscetíveis a ataques.

Para enfrentar a violência e a covardia, todos precisamos estar envolvidos. Denúncias de crimes de ódio, homofobia e transfobia, podem ser feitas pelo “Disque 100”, um serviço de utilidade pública do Ministério dos Direitos Humanos (MDH) que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. A ligação é gratuita e pode ser feita de qualquer telefone fixo ou móvel. Em seu site, o MDH informa que as denúncias recebidas são analisadas e encaminhadas aos órgãos de proteção, defesa e responsabilização em direitos humanos, no prazo máximo de 24 horas, priorizando o órgão que intervirá de forma imediata no rompimento do ciclo de violência e proteção à vítima.

Disque 100 para denunciar

O “Disque 100” inclui ainda a disseminação de informações sobre direitos humanos e orientações acerca de ações, programas, campanhas e de serviços de atendimento e proteção em direitos humanos disponíveis nos âmbitos federal, estadual e municipal.

O 20 de novembro chama à reflexão em memória de todos os mortos por transfobia, mas também é um dia para a esperança na quebra desse ciclo de dor. Tão importante quanto não esquecer as vítimas desses crimes de ódio e sexismo, é celebrar as histórias felizes e inspiradoras dos que vivem.

Uma reverência à Laerte Coutinho, cartunista; Roberta Close, Lea T e Valentina Sampaio, modelos; Tarso Brant e Thammy Miranda, atores; Leonardo Peçanha, especialista em Gênero e Sexualidade e ativista; Laura de Castro, delegada; Linn da Quebrada e Candy Mel, cantoras; João Nery, psicólogo e escritor, e a todos os outros milhares de transexuais que mostram que o caminho da realização pessoal é tão diverso e tão possível!

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Passei 24 horas no Tinder, tive três matches e descobri que o jogo mudou http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/11/16/passei-24-horas-no-tinder-tive-tres-matches-e-percebi-que-o-mundo-mudou/ http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/11/16/passei-24-horas-no-tinder-tive-tres-matches-e-percebi-que-o-mundo-mudou/#respond Thu, 16 Nov 2017 06:00:36 +0000 http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/?p=2795

A foto discretinha que escolhi para minha estreia no Tinder. Você daria um match? (Foto: Arquivo pessoal)

Entrei no Tinder por 24 horas. Estava em casa de bobeira no sábado à noite e abri um perfil lá. Não quis mentir, então usei uma foto recente, na praia, mas eu aparecia de longe, quase que só uma silhueta.

Nunca tinha baixado um aplicativo de paquera, apesar de ter sido uma das pioneiras nas salas de bate-papo do UOL e no Flogão numa época em que a internet ainda era discada, coisa de umas duas décadas atrás, quando as pessoas ainda tentavam se passar pela Angelina Jolie.

Então me preparei para ver inúmeras Jolies, Paollas Oliveiras e Demis Lovatos… E dei de cara com amigas de amigas! Foram umas quatro. E colegas de trabalho que eu podia jurar de pés juntos que eram héteros, mas que descobri bissexuais, e que junto com os namorados buscam parceiras para “bons momentos” a três. Ri de nervoso, como criança quando ouve um segredo.

Quando a internet era só mato

Acostumada aos perfis fakes do tempo em que a internet era só mato, não estava preparada para descobrir tanta gente real e disposta a expor o rosto e detalhes íntimos a completos desconhecidos. Boa parte até anexa o perfil do Instagram ao Tinder para facilitar o stalk. É claro que também existem os perfis falsos, as fotos de olho, de frases, de bichinhos, mas são minoria.

A intenção não era escrever sobre essa experiência. Baixei o aplicativo por curiosidade, pra jogar conversa fora, mas tomei tanto “tiro” que fiquei desnorteada. Um “tiro” é uma foto bonita, um perfil impactante. Na versão grátis e básica do aplicativo, que é a que usei, quando você se interessa por alguém, você dá um “like” e vocês só poderão conversar se o “like” for recíproco, que é o “match”. Consegui três “matches”. Todos de mulheres. As três, de 34 anos. Uma bi, casada, iogue; uma bi, solteira, jornalista, e uma lésbica, arquiteta, que deixou claro que estava ali para encontrar uma namorada e não quis trocar muitas palavras quando expus que não tinha essa intenção.

Por que o Tinder mostra as héteros pras gays?

Tirando as conversas que não deram em absolutamente nada, me impressionei com o trabalho de fotógrafas, tatuadoras e artistas plásticas e cênicas incríveis, e me diverti lendo o que as pessoas escrevem no campo de descrição. Como não se identificar com um: “Tô procurando mais alguém pra sair e meter o louco comigo do que pra beijar na boca”? Ou: “Sou igual feijão no micro-ondas, uma parte quente, outra fria, aceita”.

Pra fechar, uma garota de 24 anos publicou: “Primeiramente, não gosto de pessoas secas. Segundamente, por que o Tinder mostra as héteros pras gays?” essa última, uma pergunta que também me fiz. Por que o Tinder mostra as héteros pras gays? E por que mostra as gays pras gays? E por que é que o mundo tem que ter tanta gente linda, divertida e interessante, meu Deus do céu?!

Entrei no Tinder com o receio de encontrar um gélido cardápio de pessoas e tive a grata surpresa da constatação da mudança dos tempos. Naveguei num mar de gente real. Me encantei por corpos e rostos atraentes, e também pela criatividade, humor e até um pouco de indolência deles. Comecei essa experiência por um lampejo de curiosidade, e saio dela mexida, maravilhosamente desgraçada da cabeça.

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O segundo encontro entre duas lésbicas já é com caminhão de mudança http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/11/14/o-segundo-encontro-entre-duas-lesbicas-ja-e-com-caminhao-de-mudanca/ http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/11/14/o-segundo-encontro-entre-duas-lesbicas-ja-e-com-caminhao-de-mudanca/#respond Tue, 14 Nov 2017 06:00:59 +0000 http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/?p=2789

(Foto: Getty Images)

Tem uma piada, vinda do Vale dos Homossexuais, que diz que o segundo encontro de duas lésbicas já é com o caminhão de mudança. Mas o que podemos fazer, não é mesmo? Somos práticas e passionais, então juntar as escovas e dividir a cama e a vida é irresistível quando estamos apaixonadas…

Ela é linda e prepara um brigadeiro de panela das deusas! É intensa e cheia de predicados. Não tem como dar errado! Ou tem?

Dividir a casa seja com a namorada – ou qualquer outra pessoa desse mundo – demanda um acordo muito bem acertado. É extremamente importante conversar sobre a divisão das tarefas domésticas, assim como a das contas mensais. Todas. Do aluguel à internet, da feira à TV a cabo.

As louças não se lavam e os boletos não se pagam sozinhos, infelizmente. Se não há intimidade pra falar sobre isso, certamente não é o momento de morar sob o mesmo teto; se há, ótimo! Esses seis toques aqui vão fazer a diferença nessa fase.

Barato que sai caro

“Ah, mas a gente se ama, se dá bem, não faz sentido morar em casas separadas e pagar dois aluguéis!” Fundamentar essa decisão em uma justificativa financeira é construir um prédio sobre a areia movediça. E, se moram sozinhas, é preciso levar em conta que essa escolha implica ainda na perda da liberdade e da privacidade a que estão habituadas. Vale a pena?

Um, dois, três, testando!

Antes de comprar um carro fazemos um test-drive, certo? Pra ter a certeza de que o automóvel dos sonhos é, na prática, tudo aquilo que imaginávamos. Um “test-drive” da vida a duas é tão simples quanto. Antes de bater o martelo, passem mais tempo juntas. Faz um bem danado descobrir outras afinidades e aprender a lidar com as diferenças.

Não é a mamãe!

Não importa se a escolha por uma “namorida” acontece aos 20, 40, 80 anos de idade ou mais: não é porque nos estamos com uma mulher que vamos atribuir a ela o posto de nossa mãe. Nem de filha. Amor, carinho e cuidados podem e devem estar presentes em todas as relações humanas, mas nada de delegar a uma pessoa as funções e responsabilidades de outra.

Que seja a melhor amiga, mas não a única

É comum o casal gostar de fazer tudo junto, muitas vezes até abrindo mão de programas com outras pessoas e círculos sociais, mas é bom ter um pouco de cuidado: não é porque as duas adoram a companhia da outra que devem abrir mão da individualidade de cada uma, o que envolve amigos, profissões, hobbies entre outras coisas. Uma namorada pode ser a melhor amiga, mas que não seja a única.

A atual e a ex não são a mesma pessoa

Então, pelo amor do universo, nada de comparações! Nem em pensamento. Ficar imaginando que a Eduarda era assim e a Fernanda é assado, ou esperar que a Mary faça as mesmas coisas que a Ju fazia é um despautério, só vai criar expectativas que não vão se concretizar nunca e gerar conflitos. #PAS

Se amanhã não for nada disso…

O namoro estava fluindo, as duas se curtiam, mas ao juntar as escovas de cabelo a situação ficou embaraçada. Ela cansou de pedir pra você lavar a louça, como tinham combinado, e você descobriu que ela era muito negligente com as contas da casa. Calma. Conversar e expor os pontos de vista de cada uma é crucial neste momento, que deve acontecer com a disposição genuína de ambas. Se as mudanças necessárias não acontecerem, deem um passo para trás e voltem às suas casas – não por descrédito ao relacionamento, mas pela vontade de preservar a ligação que ainda não amadureceu o bastante; ou que amadureceu, sim, o suficiente pra mostrar que vocês precisam de mais espaço pra continuar juntas.

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Por que preferimos dar desculpas esfarrapadas a dizer “não” logo de cara? http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/11/09/por-que-preferimos-dar-desculpas-esfarrapadas-a-dizer-nao-logo-de-cara/ http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/11/09/por-que-preferimos-dar-desculpas-esfarrapadas-a-dizer-nao-logo-de-cara/#respond Thu, 09 Nov 2017 06:00:26 +0000 http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/?p=2781

 

É mais fácil dizer “sim” e ser dócil. “Não” é enfrentamento, desgaste.

É comum que a gente diga “sim” sem querer, mesmo com a absoluta certeza de um arrependimento imediato. Quem nunca aceitou um convite pra sair e quase na mesma hora começou a planejar a desculpa para furar? São cólicas, dores de cabeça e doenças intermináveis. Se precisar matar a bisavó que já morreu há 20 anos, matamos.

O curioso é que passear, ver gente, curtir bons drinks e ouvir música é bom. Na maioria das vezes. Em algumas é uma coisa pavorosa, angustiante. Dar uma volta e lidar com desconhecidos, sejam ambientes, pessoas ou situações é uma loteria, pode ser ótimo ou catastrófico.

Se nem em uma situação potencialmente boa, como um rolê, temos garantia de satisfação, o que dizer de circunstâncias mais tensas? Tudo bem acumular funções no trabalho sem ganhar a mais por isso? Emprestar R$ 2 mil para a prima? Passar o Réveillon na casa da sogra porque a namorada pediu, apesar de ter sonhado em curtir a virada na praia?

Expectativa x realidade

A sensação é parecida com a de estar naqueles programas de TV em que o candidato aos prêmios, fechado numa cabine sem ouvir nada, tem de responder apenas com “sim” ou “não” às perguntas do apresentador do lado de fora:

– Você quer trocar essa máquina de lavar 12 quilos por essa bicicleta velha sem rodas?

– Siiiiiiiim!!!

Dizer “não” aos pais é rebeldia. Aos chefes, insubordinação. Aos amigos e amores, pode causar mágoa.

O problema é que aceitar e concordar passivamente com tudo faz com que muitas vezes passemos por cima de nós mesmos, do que acreditamos e desejamos, para satisfazer outrem, e isso gera uma expectativa de reciprocidade que, quando não se realiza, frustra. Dizer “sim” pode abrir portas, “não” pode fechá-las e vice-versa. Que os “nãos” e “sins” que dissermos sejam, sempre que possível,  compatíveis com a nossa real vontade.

“Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir”, cravou George Orwell no célebre “1984”, livro que inspirou o programa Big Brother Brasil. Para o qual eu disse “sim”, como vocês bem sabem.

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“Você consegue ser boa de cama mesmo não gostando do próprio corpo?” http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/11/07/voce-consegue-ser-boa-de-cama-mesmo-nao-gostando-do-proprio-corpo/ http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/11/07/voce-consegue-ser-boa-de-cama-mesmo-nao-gostando-do-proprio-corpo/#respond Tue, 07 Nov 2017 14:45:40 +0000 http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/?p=2772


Essa foi a pergunta de uma leitora do blog, de 23 anos, mas poderia ter sido a de um jovem leitor e até mesmo feita por mim quando moçoila.

Hoje sou uma balzaquiana e tenho o maior orgulho da minha idade, 32. É que na medida em que o tempo passa a gente começa a se conhecer mais e entender melhor o mundo e as pessoas ao redor. E conhecimento, em todos os sentidos, é uma chave que destrava diversas portas, principalmente as das nossas inseguranças e medos.

“Como transar com uma pessoa se você não gosta do seu corpo?”. Já tentou responder a uma pergunta com outra pergunta? Nesse caso, a questão é: “Por que você não gosta do seu corpo?”

Não está feliz? Nada de se acomodar!

Trabalhar a autoaceitação é diferente de se acomodar. Se algo na aparência, na casa ou na vida não agrada, é possível entrar em ação e mudar o detalhe dissonante – às vezes só precisamos reconfigurar o olhar sobre esse ou aquele aspecto.

Eu tenho olhos castanhos. Imensos. Queria tê-los verdes e mais puxadinhos, como algumas primas minhas. Posso usar lentes coloridas, o que já fiz. Posso usar óculos escuros ou fazer o melhor delineado de gatinho do mundo, mas nada altera o fato de que eles serão sempre duas bilocas marrons. E ok. Ninguém é um par de olhos, e sim um conjunto de características físicas e psicológicas único! Quando encontramos essas diferentes belezas em nós, brilhamos.

Que antes da cama venha o espelho e, para além dele, um mergulho profundo em si. Somos corpo e também história. Pele, passado e todo um futuro a ser escrito. Somos pelos e ansiedades. Somamos incontáveis defeitos e um sem-fim de qualidades. Antes de transar com alguém a gente precisa fazer amor-próprio.

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“Bichinha poc poc, sapatona, Barbie”: o bullying entre os homossexuais http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/11/01/bichinha-poc-poc-sapatona-barbie-o-bullying-entre-os-homossexuais/ http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/11/01/bichinha-poc-poc-sapatona-barbie-o-bullying-entre-os-homossexuais/#respond Wed, 01 Nov 2017 06:00:03 +0000 http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/?p=2753

(Ilustração: Getty Images)

Ah, o preconceito! Ele chega de mansinho, se revela entre uma frase e outra, em pequenos gestos, e, quando menos se espera… VRÁ! Está lá escancarado como um leque aberto.

Toda vez que um homossexual diz que odeia as “bichinhas poc-poc”, os jovens gays afeminados, uma lágrima de glitter escorre. Quando pede pra que Deus te livre da proximidade com as “sapatonas caminhoneiras”, as lésbicas mais masculinizadas, um coturno se perde no vale dos homossexuais.

Quando comecei a frequentar baladas gays, lá nos anos 2000, ouvi tantos absurdos que morria de medo. “Cuidado com as travestis, porque elas são perigosas e quando se irritam dão duas giletadas em você!”. “Em boate GLS só tem ‘michê’ e ‘Barbie droguinha'”, entre diversas outras coisas estapafúrdias. “Michês” são garotos de programa e “Barbie droguinha” é um termo pejorativo para gays malhados que curtem festas eletrônicas e são rotulados como usuários de drogas sintéticas.

O mundo mudou mesmo?

Naquela época a sigla era GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes), depois ficou mais abrangente e inclusiva em 2008, mudando para LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). Eu acredito que a mentalidade das pessoas tenha mudado um pouco de lá pra cá. Um pouco, pero no mucho.

Admiramos a coragem de personalidades que se assumem publicamente como homossexuais, mas somos capazes de julgar mentalmente as que são afeminadas ou masculinizadas “demais”. Esquecemos que o fato de já ter sofrido algum tipo de preconceito não nos dá o direito ou a desculpa para perpetuá-lo de tantas outras formas.

Vibramos com o sucesso de drag queens e transexuais nas passarelas, em carreiras musicais e nas novelas, mas ainda olhamos torto para as que se prostituem nas esquinas – e não são poucas: segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), 90% das travestis e trans estão inseridas na prostituição.

Suicídio entre homossexuais

O pré-julgamento não só marginaliza e abre caminho para a violência nas ruas – no Brasil um LGBT é assassinado a cada 25 horas –, como induz ao autoextermínio.

Diversos estudos apontam que a discriminação e o senso de isolamento estão fortemente ligados ao comportamento autodestrutivo, o que torna os LGBTs 5 vezes mais propensos a cometer suicídio que o restante da população. Encarar as diferenças com um olhar mais terno e fraterno para além de um gesto de humanidade é uma questão de saúde pública.

*Para oferecer apoio emocional e prevenir o suicídio o CVV, Centro de Valorização da Vida, atende por telefone pelo número 141 e também via chat, Skype e presencialmente de forma gratuita e totalmente sigilosa. Saiba mais em cvv.org.br

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Você é ativa, passiva ou total flex? http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/10/31/voce-e-ativa-passiva-ou-total-flex/ http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/10/31/voce-e-ativa-passiva-ou-total-flex/#respond Tue, 31 Oct 2017 06:00:44 +0000 http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/?p=2764

(Foto: Getty Images)

Na cama, o que as definições de papéis significam, afinal?

Em tese, “ativas” são as mulheres que tomam a iniciativa, que fazem sexo oral na parceira, que penetram etc. E “passivas” são as que recebem sexo oral, que curtem ser penetradas, enfim. No meio dessa “polarização”, existem posições sexuais neutras, como a tesourinha, por exemplo. E “total flex” ou “reflexivas” ou “flexíveis” são as lésbicas que gostam de dar e receber prazer sendo ativas e passivas.

Você pode dizer que é uma coisa hoje e, amanhã, trocar de ideia. Tudo vai depender da lua nova em Escorpião, do seu humor, do seu tesão no dia e de quem estará na cama com você. Não acredite que “dessa água não beberei”. Porque beberás, sim!

Pode acontecer de você namorar uma mulher hoje e ela ser mais passiva. Até que vocês terminam e dali a um tempo ela começa a se envolver com outra que, tecnicamente, era passiva também. Aí você se pergunta: “mas o que é que está acontecendo?”

O jogo pode virar, não é mesmo?

A explicação é simples: parece que o jogo virou, não é mesmo? Aí dá uma ponta de ódio porque queria ter feito coisas que agora ela provavelmente está fazendo com a atual. É a mesma bituca de rancor que surge quando, depois do término, você vê a sua ex muito mais bonita, deusa e iluminada do que na época em que namoravam. Mas tudo bem. Como diria o pensador contemporâneo Seu Madruga, “a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”. Vida que segue, bebê!

Já passei por situações loucas, constrangedoras e difíceis no coração e na cama. O bom de envelhecer é poder olhar para trás e rir de todas elas. Quando o tempo passa é divertido revisitar momentos e pessoas e fazer um balanço sobre quem você era, com quem se envolvia e como reagia às circunstâncias. A tendência é que as coisas melhorem, sejam mais leves e mais prazerosas.

Questão de química 

É fácil se apaixonar por alguém que é incrível na cama, mas que não tenha maturidade para um relacionamento fora dali. Assim como acontece de nos encantarmos pela companhia de uma pessoa que seja inteligente e divertida, mas que não tenha toda aquela química entre os lençóis.

Nos relacionamentos e no sexo, não existem conceitos indissolúveis. Podemos mudar de ideia ou não mudar de ideia. Dá pra ser 100% ativa ou 100% passiva ou variar essa porcentagem de acordo com o tesão que sentimos por alguém, com o nosso humor, ou com a lua nova em Escorpião.

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Eu, minha namorada e minha sogra lésbica http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/10/26/eu-minha-namorada-e-minha-sogra-lesbica/ http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/10/26/eu-minha-namorada-e-minha-sogra-lesbica/#respond Thu, 26 Oct 2017 06:00:38 +0000 http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/?p=2741

Se a sua sogra fosse lésbica vocês se entenderiam melhor? Teriam mais assuntos em comum? Assistiriam a filmes e séries dividindo a pipoquinha?

Eu já tive duas sogras lésbicas, mas a minha vida enquanto nora não foi mais fácil por isso. Elas viveram casamentos heterossexuais, conceberam filhos, e, depois de um tempo, se descobriram homossexuais. Se descobrir é diferente de se aceitar, eu grifo.

Anos atrás, quando a minha namorada na época contou sobre a homossexualidade da mãe, ela desabou. Chorou muito, de soluçar, e até hoje nunca entendi o motivo. Curiosamente, a relação entre as duas sempre foi muito boa, entretanto não fui apresentada como namorada, mas como amiga.

Conheci minha sogra, que morava em outra cidade, e sua companheira de anos – elas não moravam juntas. Saímos, comemos pizza e conversamos amenidades. Nos encontramos mais umas duas vezes e só. O relacionamento com a minha namorada foi se desgastando e comecei a notar que, quando ela viajava pra passar um fim de semana com a mãe voltava muito diferente, mais fria, e isso passou a ser cada vez mais frequente até que terminamos. E rompemos com direito a todos clichês dramáticos sapatônicos a que “lésbicas raízes” têm direito. Foi um inferno.

Sogra evangélica & lésbica

Passei três anos solteira, tranquila e quase celibatária até que PLAU! Conviver com uma sogra lésbica definitivamente estava no meu destino.

– A minha mãe é lésbica.

– Ué, mas você não falou que a sua mãe é evangélica?

– Sim, ela é também. É uma longa história. A minha mãe era casada com o meu pai, conheceu uma mulher por quem se apaixonou, as duas viveram juntas por quase dez anos, terminaram, ela teve outras namoradas, enfim. Mas nesse momento ela não está se relacionando com ninguém, está na igreja.

Na hora pensei com meus botões: como uma pessoa pode ser lésbica e fazer parte de uma congregação que condena a homossexualidade? E a resposta é simples: não pode. Até existem comunidades evangélicas inclusivas, voltadas ao público LGBT e em geral, mas não era este o caso. Na igreja que ela frequenta ou se é lésbica ou evangélica. Então ela optou por ser uma lésbica “não-praticante”, abdicando da vida ao lado de outra mulher, seguindo a orientação dos pastores.

Essa minha sogra me deu uma das maiores provas de carinho que alguém podia dar: encheu uma piscina de mil litros só pra mim. Amo piscina! Nunca esquecerei isso.Também dividimos a pipoquinha enquanto assistíamos juntas à primeira temporada de “American Horror Story”. Adoro filmes e séries de terror! Jamais esquecerei também.

Assim como minha memória provavelmente não vai apagar as diversas vezes em que ela perguntou para a minha namorada, enquanto estávamos juntas, quando ela arrumaria um namorado e se casaria com um homem. E não foram poucas. No fim entendi que estabelecemos uma amizade que era frágil. Tão frágil quanto a aceitação da homossexualidade de sua filha e tão delicada quanto a admissão da sua própria.

Pais e mães podem ser sogros e sogras maravilhosos, independentemente de serem héteros ou gays. Só não são indefectíveis porque, afinal, ninguém é. E tudo bem.

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8 coisas para não fazer no primeiro encontro (nem no segundo!) http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/10/24/8-coisas-para-nao-fazer-no-primeiro-encontro-nem-no-segundo/ http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/10/24/8-coisas-para-nao-fazer-no-primeiro-encontro-nem-no-segundo/#respond Tue, 24 Oct 2017 06:00:33 +0000 http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/?p=2733

Falar – ou ouvir – sobre relacionamentos anteriores. Esse é um clássico e é chatíssimo! Trazer a relação pregressa à tona só prova que ela ainda não foi superada, seja por motivos bons ou ruins. Certamente vocês têm assuntos muito mais interessantes pra conversar como gostos musicais, trabalhos, signos, hobbies… Até a novela das nove ou a atual conjuntura política do país merecem mais destaque num encontro do que um passado mal digerido. Segue o baile, pelo amor de Deus!

Fingir orgasmo. Ao menos que você seja uma mentirosa compulsiva, não faça isso. Às vezes até dá vontade de atuar like a porn star porque aquele movimento não tá rolando ou a gente tá cansada ou pensando na janta, mas a médio prazo isso destrói a relação.

Urrar loucamente na transa. É claro que um gritinho, um suspiro animalesco valorizam o momento, mas protagonizar o “gemidão do zap” o tempo todo é esquisitíssimo.

Fazer acrobacias sexuais. Você não precisa fazer cosplay de Mulher-Aranha SÓ pra tentar impressionar. Faça se isso te der prazer, se essa ideia for excitante pra você.

Amarração para o amor. Particularmente acredito mais no poder pessoal de sedução do que em mandingas e promessas charlatanescas. Sugiro que aposte em você e, se quiser gastar dinheiro, que seja numa lingerie maravilhosa que funciona como uma moldura sofisticada pra uma tela que já é linda.

Exagerar na pegação em público. Sabe aquelas cenas de filme em que os personagens começam a se pegar cheios de tesão no banheiro do bar, na rua ou no corredor do hotel e estouram os botões  da camisa, rasgam sutiã e deixam as roupas todas estropiadas pelo caminho? Cuidado. Além de gastar com reparos das peças ou com a aquisição novas, dependendo do estrago, ainda tem o risco de condenação de três meses a um ano de prisão ou multa já que “Praticar ato obsceno em lugar público ou aberto ou exposto ao público” é crime segundo o artigo 233 do Código Penal Brasileiro.

Tolerar grosseria. Acredite, se a pessoa por quem você tá a fim é ríspida com o garçom, o manobrista, a atendente da padaria, ou é rude com amigos e familiares, certamente você será o próximo alvo. Termine sem sequer ter começado, mas antes, claro, ensine umas noções de educação e respeito ao próximo a este ser humano necessitado.

Pagar integralmente a conta. Você pode ser romântica e gostar de fazer gentilezas como essa, mas no primeiro ou nos primeiros encontros o gesto pode dar a entender que você fará isso sempre, o que é a maior das maiores arapucas no começo de um relacionamento. Com o tempo, quando você não quiser ou não puder continuar mantendo esse hábito, será mais difícil explicar a situação do que, logo no início, dividir as despesas no restaurante, no motel, na viagem, no mercado etc.

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“Como duas mulheres transam?” Acredite, eu já me fiz essa pergunta http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/10/19/como-duas-mulheres-transam-acredite-eu-ja-me-fiz-essa-pergunta/ http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/10/19/como-duas-mulheres-transam-acredite-eu-ja-me-fiz-essa-pergunta/#respond Thu, 19 Oct 2017 06:00:50 +0000 http://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/?p=2726

(Imagem: Getty Images)

 

“Como duas mulheres transam?”

“Onde elas pegam?”

“Quem é o homem e quem é a mulher?”

Acredite, eu já me fiz essas perguntas. E ficava com as bochechas coradas quando ouvia as respostas. Na época eu já era maior de idade e nem era virgem mais! Mas já fui extremamente tímida nessa minha vida. Juro!

“Olha, é normal, você vai beijar na boca igual você beija um cara, só que mulher tem a boca mais macia e delicada”. Foi a frase que ouvi de uma amiga e acho que nunca esqueci porque, de fato, só traz verdades.

Quanto ao sexo, mesmo tendo visto diversas cenas em filmes, minha curiosidade era ainda maior porque eu ficava na dúvida sobre quem devia fazer sexo oral, se era pra rolar penetração ou não, se ia ser bom ou não. Bastante experiente, essa amiga (que foi minha guru para assuntos sapatônicos), simplificou: “Relaxe e faça com ela o que ela fizer com você”.

Hoje, mais de uma década depois, eu ainda não encontrei uma dica melhor que essa porque é ótima, descomplicada.

Ninguém precisa ser especialista no assunto, ler mil livros, ver dois mil filmes, testar habilidades orais em uma laranja antes ir para a os finalmente. O sexo vai ser incrível se você estiver se sentindo bem, segura, confiante. A propósito, brincar de beijar laranjas não tem nenhum efeito prático e o motivo é simples: laranjas são como as rosas. E “as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti, ai”. #táparei

Sexo entre mulheres não é apenas um combo de preliminares. Preliminar é sair, tomar uns drinks, jogar conversa fora. Sexo é sexo. Entre mulheres, acontece basicamente tudo o que pode acontecer entre uma mulher e um homem. Mesmo.

Esqueça os manuais e as posições complicadíssimas que você pode ter visto em desenhos de Kama Sutra para lésbicas e se apegue a referências mais reais. Coloque um som. Se Cartola for romântico ou nostálgico demais, deixa com a Ana Carolina. Na música “Eu comi a Madonna” ela explica:

Me esquenta com o vapor da boca
E a fenda mela
Imprensando minha coxa
Na coxa que é dela

Dobra os joelhos e implora
O meu líquido
Me quer, me quer, me quer e quer ver

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