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Quem pode abrir o seu armário?

Angélica Morango

13/07/2018 04h00

Crédito: iStock

Recentemente, uma amiga, que é muito tímida e nunca tinha ficado com mulheres – mas sempre teve vontade –, entrou no Tinder. Uma colega de trabalho dela, que é lésbica, encontrou o perfil no aplicativo e mostrou para outro colega, que é gay. Os três trabalham no mesmo ambiente, mas não são próximos. “Essa aqui é você?”, perguntou ele, fazendo estardalhaço.

Minha amiga, sem saber onde enfiava a cara, negou e inventou uma história de que alguém teria usado uma foto de seu Instagram e montado um perfil fake no site de paquera. Uma desculpa bem esfarrapada, inventada no susto e que certamente não tinha colado. Essa foi a segunda vez que ela tinha criado uma conta no aplicativo. Na primeira, o receio de ser descoberta fez com que deletasse o perfil horas depois.

Será que vale a pena?

Sair do armário é um desafio. De um lado há a família, os amigos, a zona de conforto. Do outro, dúvidas, insegurança, o desconhecido. Como as pessoas vão reagir? Será que vale a pena?

Temos medo da rejeição, da violência, da solidão… A lista é enorme. Assumir-se diferente ou encenar uma farsa para o resto da vida? Escolher parece simples, e é. “Simples” não significa “fácil”. Assumir-se não carimba o passaporte de ninguém para a felicidade absoluta, até porque ela não é um lugar ou um destino, mas está aqui e ali, espalhada pelo caminho.

O caminho

Declarar abertamente minha sexualidade não me blindou de tristezas, decepções e relacionamentos complicados. Não podemos romantizar as relações homossexuais e imaginar que são perfeitas só porque “aparentemente” o casal têm muito em comum. Duas pessoas do mesmo sexo em um relacionamento podem ter tanto em comum quanto duas pessoas de sexos diferentes em um: muito ou pouco. Depende. Das pessoas, do que sentem, do momento em que estão na vida, do que esperam uma da outra, entre tantas outras coisas.

Nunca me considerei lésbica só porque sempre senti atração por mulheres. Compreendi que era lésbica por razões que transcendem a atração física e que permaneceram apesar dos motivos que já pesaram contra: primeiro, a reação da minha família à minha sexualidade; depois, minha difícil relação com as famílias de algumas ex-namoradas. Estar com uma pessoa que não se assumiu para a família – ou talvez nem para si mesma – é enfrentar novamente os mesmos problemas do passado, revivê-los, e isso pode ser extremamente desgastante.

Ninguém “se torna” lésbica porque um ou mais relacionamentos heterossexuais não deu certo. Ninguém “vira” hétero porque fracassou em relacionamentos homossexuais. Há quem goste de ambos. E tem quem simplesmente não sinta atração ou deseje um relacionamento com ninguém.

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Respeito: mais que um dever, uma delicadeza

Não é crime ter um perfil num aplicativo de paquera. Não é indecência andar de mãos dadas ou beijar um namorado ou uma namorada na rua. Não é um absurdo querer morar junto, casar ou construir uma vida ao lado de alguém. Já enfrentamos diversas batalhas no campo solitário dos nossos pensamentos e tudo seria muito mais fácil se não precisássemos lidar com os palpites, as opiniões e os arroubos preconceituosos dos outros. Destrancar ou não as portas do próprio armário é uma decisão individual. Respeitar isso, mais que um dever, é uma delicadeza.

Sobre a Autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o Blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!

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