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Namoro entre mulheres é mais complicado?

Angélica Morango

06/08/2017 04h00

Cena do filme "Azul é a cor mais quente". (Foto: Divulgação)

 

Têm coisas que se a gente pensar demais, não faz. Tipo bolo. Preparar um bolo envolve toda uma alquimia de ingredientes que têm que se combinar pra dar liga, fazer a massa crescer e ficar fofinha, dourada em cima, cozida por dentro. Inclusive levei duas décadas e meia só pra fazer uns bolos comíveis.

Talvez eu tenha demorado esse mesmo tempo pra aprender outras coisas fundamentais, como me relacionar com as pessoas, em todos os sentidos. Mas na cozinha e na vida, foram muitas tentativas e bolos solados até conseguir dominar as receitas que mais gosto.

Não importa se você namora um homem ou uma mulher. Num planeta com uma população superior a 7 bilhões de habitantes, estamos falando de mais de 7 bilhões de infinitos particulares. Há diferenças entre gêneros? Signos? Gerações? Criações? Sim. Sim. Sim. Sim. Como há muitas semelhanças que nos unem também.

Mulheres são complexas. São competitivas. Comunicativas. Passionais. Têm TPM. Seres muito interessantes, não é mesmo?! Num dia podemos nos sentir pleníssimas, no outro basta acordar num bad hair day pra ter a sensação de que tudo está dando errado com a gente e com o mundo.

Então qual graça de namorar uma mulher? Porque basicamente parecem umas loucas que vão da paz ao caos em minutos. E a mídia, de maneira geral, tende a reforçar esse estereótipo de que mulheres que se relacionam entre si ou são umas desvairadas, ou hipersexuais, ou ambos.

Se você assistiu a "Gypsy" (2017), "Azul é a cor mais quente" (2013) ou "The L word" (2004), sabe do que eu estou falando.  E se também era adolescente nos anos 2000, com certeza vai se lembrar do duo-lésbico-fake-russo-teen t.A.T.u, catapultado ao sucesso com  "All the things she said" e seu clipe com as cantoras como colegiais que enfrentavam olhares reprovadores da sociedade enquanto se beijavam na chuva – mais fetichista, impossível.

Um simples Google nos nomes de alguns (ex) casais de mulheres brasileiras pode ser bem revelador. As primeiras notícias que aparecem são:

Marina Lima diz em entrevista que transou com Gal Costa aos 17 anos

Isis de Oliveira fala sobre a união de 7 anos com a cantora Simone: 'Foi um erro'

Luiza Possi soube aos 12 anos que a mãe Zizi era bissexual

E por aí vai. O teor sexual ou conflituoso gera mais interesse no público do que o meramente afetivo e romântico. O que e faz com que essas matérias "polêmicas" sejam mais acessadas e consequentemente figurem sempre no topo da busca. Um ciclo que perpétua a ideia de que o relacionamento lésbico é muito complicado.

Existem muitas mulheres na minha vida. As que estimo como artistas; as que prezo como família, por sangue ou amizade; as que admiro como colegas de trabalho; e as que fazem ou fizeram parte da minha vida afetiva. Cada uma ocupa um lugar no meu coração e na minha memória. Não existe uma confusão de sentimentos. O que determina o tipo de uma relação é o interesse mútuo, o amor e os esforços de ambas as partes pra seguir adiante.

Independentemente de gênero ou rótulo, o que nos conecta a alguém são os gostos em comum, as diferenças que nos façam evoluir e, fatalmente, muitos detalhes. São mais de 7 bilhões de pessoas no mundo. Nenhuma será igual à outra.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!

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