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Quem é feliz não tem tempo de fiscalizar a vida alheia

Angélica Morango

11/08/2017 04h00

(Ilustração: Getty Images)

Dia desses, bati um papo sobre sexo com a minha avó, que atualmente vive suas 81 primaveras. Ela se casou bem mais tarde que as moçoilas da sua época, aos 27 anos. Teve três filhos, ficou viúva aos 33. Nunca mais namorou. Saquei que ela não curtia muito o babado e entendi o porquê.

Pra quem nasceu na década de 1930, ou muitas gerações depois, o sexo é um tabu. Pela religião, pela educação familiar ou por falta de informação, milhares de mulheres – e de homens – encaram a conjunção carnal como estritamente necessária à procriação, e só. Conhecer seu corpo, tocá-lo, entendê-lo e obter prazer com ele é pecado, é proibido, é impuro.

Muitos anos atrás eu, que sempre fui a ovelha curiosa da família, li sobre masturbação naquelas revistas para adolescentes. Minha vida sexual não poderia ter começado melhor! Descobri algumas “técnicas” como o uso do chuveirinho, da ponta do travesseiro, dos dedos. E passei a adorar sexo. Inclusive comigo mesma.

Não me considero a mais devassa das mulheres por isso. Minha personalidade, meu caráter, minha postura profissional foram construídos ao longo de toda a minha história e não moldados pela minha vagina ou pelo que faço com ela.

Quando experimentar a masturbação? Como descobrir o melhor momento pra transar? Essas são decisões absolutamente pessoais e todo mundo deveria ter o controle sobre elas. Acontece que infelizmente as coisas não são tão simples assim.

Os fiscais da moral e dos bons costumes estão por todos os lados nas igrejas, nos templos, no Facebook, nos encontros de família e em tantos outros lugares ditando regras sobre o certo e o errado. Apontam o dedo, olham torto e, muitas vezes, julgam assuntos sobre os quais não devem entender bem: sexo e prazer.

Que os rapazes possam colecionar suas revistas e que as moças também tenham acesso a elas se quiserem. Que deixem em paz o funk as letras de duplo sentido e as descaradas também. Que os filmes pornográficos tomem posse dignamente dos lugares que já ocupam em nossas mentes e corações – sem hipocrisia.

Minha teoria particular é a de que pessoas realmente felizes em suas vidas e com suas escolhas não têm tempo pra desperdiçar fiscalizando outrem.

A essas pessoas, eu digo: se toquem! Do jeito que acharem melhor.

Sobre a Autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o Blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!

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