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Morango

"Hoje ela é muito maior do que o medo que eles querem impor"

Universa

15/03/2018 15h51

Marielle foi uma das cinco vereadoras mais votadas do Rio (Priscila Fraguas)

"A pior sensação do mundo. Acordei e me dei conta de que tudo é realidade. Estou indo para a Câmara, mas não para trabalhar com Marielle e, sim, para o seu velório. Os sorrisos de ontem, dela e do Anderson, estão congelados na minha mente. (…) Calaram o corpo de Marielle, mas ela é gigante. Hoje ela é muito maior do que o medo que eles querem impor", na manhã desta quinta-feira (15), essas foram as primeiras palavras de Lana de Holanda, mulher trans, estudante de serviço social na Universidade Federal do Rio de Janeiro e assessora de Marielle Franco.

Mulher. Negra. Mãe aos 19 anos. Marielle, que cresceu no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, era, sobretudo, uma guerreira. Formou-se em ciências sociais na PUC (Pontifícia Universidade do Rio de Janeiro), como bolsista integral, e fez mestrado em administração pública na Universidade Federal Fluminense. Foi uma das cinco vereadoras mais bem votadas do Rio de Janeiro (recebeu mais de 46 mil votos) e estava em seu primeiro mandato. Feminista, lutava pela voz e vez das mulheres, dos negros, dos LGBTs, dos marginalizados. Causas intrínsecas à sua própria história.

Vociferava contra a truculência do Exército na ocupação do Rio, denunciava a violência policial nas favelas, expunha a questão abusiva das taxas cobradas pelo transporte coletivo, entre tantas outras injustiças de uma realidade que ela conhecia muito bem.

Em uma emboscada covarde, Marielle, aos 38 anos, foi executada com diversos tiros –quatro deles no rosto. Seu motorista, Anderson Pedro Gomes, atingido por três das balas destinadas a ela, também morreu. Uma outra assessora, que também estava no carro, sobreviveu com ferimentos leves, provocados pelos estilhaços dos vidros.

Exatos sete dias antes de sua execução, Marielle postou em seu Twitter: "O Brasil teve 4.473 homicídios dolosos de mulheres em 2017, um aumento de 6,5% em relação ao ano anterior. Com esses números é sempre difícil acordar otimista. Mas precisamos transformar nossa dor em luta! Vamos em frente!"

Hoje, milhares de mulheres acordaram de luto, mas ainda mais motivadas à luta. A história de Marielle não acaba aqui. Sua voz não será silenciada pela tirania.

"Das poucas vezes que me falta a voz. Chocada. Horrorizada… Toda morte me mata um pouco. Dessa forma me mata mais. Mulher, negra, ativista, defensora dos direitos humanos. Marielle Franco, sua voz ecoará em nós. Gritemos!" (Elza Soares, cantora)

"Transformaremos o luto em luta. Preta, lésbica, periférica, ativista, que usava seu corpo para mover as estruturas. E sabemos que quando uma mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela. FOI EXECUÇÃO! Parem de nos matar! A voz da Marielle ecoa em nós. Mas se a gente se cala, a gente morre também." (Linn da Quebrada, cantora)

"Quantos mais eles vão calar???" (Tais Araújo, atriz)

"Seja qual for a convicção política, qualquer ser humano que se preze se sente estarrecido e amedrontado neste momento, porque é nítido e claro que somos todos reféns dentro de um país que tem donos e que não querem ser incomodados. Infelizmente, quem deveria nos representar e nos proteger é justamente quem nos mantém reféns." (Thatiana Nunes, blogueira)

"A humanidade dói, fundo, lá dentro. São tantos sentimentos, emoções e pensamentos que lampejam meu coração e minha mente desde o assassinato da mulher guerreira e pacifista Marielle Franco. Preciso achar esperança no desespero. Quantos mais?" (Bela Gil, apresentadora)

"Calaram a voz dessa grande guerreira. A voz pelos direitos humanos, focada 'no que' e 'em quem' realmente importa. Executada a tiros. Mas a sua história escrita, suas causas, lutas e seus muitos e lindos feitos pelo coletivo ninguém apagará. Que dor. Um horror. Até quando a barbárie e a opressão? Justiça, agora." (Paula Lima, cantora)

"Eu sou porque nós somos. Marielle, presente!" (Maria Júlia Coutinho, jornalista)

Ontem o alvo foi Marielle. E todas. E todos que diariamente se empenham por um mundo mais justo e menos corrupto e desumano.

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!