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Como chamar uma mulher para sair, segundo o Manual da Lésbica Futurista

Universa

27/03/2018 04h00

 

Foto: Getty Images

Quem nunca ficou sem reação diante da crush, que atire a primeira petalazinha de bem-me-quer. É que quando a gente se apaixona, parece esquecer tudo o que aprendeu sobre relacionamento na vida. A sensação é a de ter a memória zerada, como uma folha de papel em branco. Não importa a idade que temos, quando acessamos alguma lembrança do passado, boa ou ruim, às vezes ignoramos, propositalmente, porque preferimos acreditar que é mais interessante escrever novas histórias. Talvez seja melhor assim.

A pergunta "como começar a conversar e chamar uma mulher pra sair?" foi feita no meu Instagram, por uma mulher. Ela completa dizendo que elas se conhecem pouco e não gostaria de assustá-la na abordagem.

Pensando em solucionar essa e outras dúvidas sobre aproximação e contato, abri aqui o meu "Manual de Bolso da Lésbica Futurista, Sapatona Convicta*", página 44, para trazer verdades:

Oi!

Se não se conhecem bem, tá na hora de mudar isso. Solicitar amizade nas redes sociais é um primeiro passo importante, mas é bom lembrar que existe uma diferença – que pode ser pequena ou enorme – entre quem somos na vida real e no mundo virtual.

Status de relacionamento

A gata namora? É casada? Está de rolo com alguém? Tico-tico no fubá? Pelo bem do seu coração, se a resposta não for algo do tipo "solteira", "livre" e "desimpedida", será que vale a pena?

Stalkear e filtrar

Após aquela "stalkeada" básica para conhecer um pouco mais da paixão platônica, é interessante ouvir as opiniões de pessoas ligadas a ela, e depois filtrá-las. É claro que o melhor amigo da crush suprema vai enaltecê-la, enquanto uma ex magoada não fará boas recomendações…

Fale com ela

Por mais que a vontade seja ir direto ao ponto, marcar um encontro e dar uns bons beijos na boca, vá com calma. Com algumas informações pessoais é possível fazer uma abordagem cativante e despertar nela um interesse. Por exemplo, se descobriu que ela é geek, puxe um assunto ligado a tecnologia e cultura pop.

Sinceridade é tudo

Não minta ou exagere sobre fatos a seu respeito. Ser enganada é profundamente decepcionante.

Paciência. Paciência. Paciência.

Estabelecer um vínculo leva tempo, e ele vai depender da sintonia entre vocês. A reciprocidade pode ser imediata ou demandar alguns dias ou semanas. Pular etapas pode ser desastroso, tanto quanto um encontro dominado por silêncios constrangedores.

HAHAHAHA

Troque memes. Sério. Rir é ótimo e traz inúmeros benefícios à saúde. (Mas sem exagero. Não precisa passar o dia inteiro mandando links e fotos divertidas no "zap". Envie com moderação.)

Dois pra lá, dois pra cá

Assim como numa dança, a paquera precisa fluir com reciprocidade. Ao demonstrar interesse e disponibilidade, não aceite menos que isso de volta. Se as tentativas de estabelecer contato não estão dando resultado, isso não significa que o alvo da sua paixão seja "uma pessoa horrível", "uma mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia", como as célebres definições do ministro Luís Roberto Barroso sobre Gilmar Mendes. Pode ser apenas um sinal de que ela não está tão a fim assim. O que, convenhamos, não é nenhum fim do mundo.

* O "Manual de Bolso da Lésbica Futurista, Sapatona Convicta" não existe em nenhum outro lugar além da minha cabecinha dyke por dentro, lady por fora.

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!

Blog da Morango