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4 motivos para não ter medo de "abrir a carta" da homossexualidade

Universa

04/04/2018 04h00

|| Créditos: iStock

Eu abri a minha carta aos 15 anos e poderia dizer que ela chegou por e-mail, porque foi numa época em que a internet começava a se popularizar – apesar de ser discada, coisa que os jovenzíneos não devem fazer a menor ideia do que seja. Você, que esperava passar da meia-noite para se conectar sem ter que vender os dois rins para pagar a conta telefônica, sabe do que estou falando.

Foi on-line que comecei a me conhecer melhor, depois de entender minha sexualidade e descobrir que existiam milhares de outras pessoas que, assim como eu, tinham nascido no Vale dos Homossexuais. Hoje consigo brincar com tudo isso. Na época, 18 anos atrás, não. E sei que, neste exato momento, existem outras pessoas passando pelas mesmas dúvidas, fazendo os questionamentos que fiz e sofrendo bullying e preconceito.

"Abrir a carta" é se aceitar

Há quem passe a vida inteira sem fazê-lo por medo, vergonha, covardia. E enquanto ela fica lá fechada, relegada, não lida, o tempo passa e as chances de viver de forma plena também. Acredite, essa carta traz boas novas, e se ainda está em dúvida sobre abri-la, aqui estão quatro motivos pra incentivar.

1. Você não está só. Aqui, ali, alhures, sempre haverá alguém que se assumiu e vai adorar dividir com você a história sobre como aconteceu. Principalmente nas redes sociais e em canais no Youtube existem várixs "coloridxs" dispostxs a compartilhar suas experiências e espalhar um pouco de luz no caminho de quem está se descobrindo.

2. Você vai aprender uma nova língua – ou quase isso – afinal são tantas palavras e expressões que nem mesmo a sigla "LGBT" escapou de uma ressignificação tombadora: Lacre, Grito, Berro e Tiro.

3. Lembra de já ter ouvido alguém falar que foi a uma balada gay porque a música é boa? De fato é. A diferença é quando você for não vai precisar usar essa desculpinha.

4. Antes de fazer alguma coisa ponderou sobre o que os outros iam pensar? Pois é. A questão é que o que as pessoas pensam é problema delas e não temos responsabilidade ou controle sobre isso. É humanamente impossível agradar todo mundo o tempo todo, então por que não tentar satisfazer pelo menos uma pessoa? Você. É libertador.

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!