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O dia em que me senti uma puta na cama – e gostei

Universa

10/04/2018 04h00

Foto: Getty Images

Quando a gente se conheceu, ela achou que eu fosse "dessas mulheres pra comer com dez talheres", como naquela música da Ana Carolina. Eu não era. Já tinha feito sexo casual antes, mas sem achar muita graça, então havia decidido que não transaria mais sem estar muito, muito apaixonada.

Eu queria amor, ela sexo. Não rolou nem uma coisa nem outra na primeira semana. Nem na segunda. Tampouco na terceira. Depois já era réveillon, aí todo santo ajuda. Não lembro muito da nossa primeira vez. Eu me recordo, com toda a nitidez do mundo, da primeira em que ela me deu um tapa na cara na cama – e foi catastrófico.

Antes de contar esse episódio, preciso registrar um pequeno prólogo: já tínhamos conversado sobre algumas possibilidades e eu, toda basiquinha, comentei que não curtia certas coisas no sexo, entre elas, comportamentos que eu considerava agressivos demais. E pensava assim pelo que tinha visto em alguns filmes adultos, não por ter tentado.

Falar "não faça" teve o mesmo efeito que dizer "faça na primeira oportunidade". Bastou um tapa, de leve, para o clima zerar completamente. Na hora, fui invadida por um misto de surpresa, estranhamento, vontade de revidar e interesse em continuar.

A sensação que eu tinha era a de que ela não sabia fazer amor, só sexo. Levei um tempo para entender que é possível fazer amor com algumas doses de sexo sujo. E então descobri que esse é um caminho sem volta.

Sussurrar depravações, dar e levar uns tapas, mandar, submeter, cuspir… O céu é o limite. Eu me senti uma puta – e gostei.

Coisas incríveis podem acontecer quando um sisudo e definitivo "não" é substituído por um leve e curioso "por que não?".

Para a brincadeira funcionar, as duas pessoas têm que estar na mesma sintonia, e é importante ter clara a ideia de que um comportamento assentido no quarto (ou na rua, na chuva, na fazenda) pertence apenas àquele momento.

Palavras e atitudes usadas na transa não caem bem no meio de uma discussão, por exemplo. Desrespeitar essa regra é como usar uma cinta-liga no sábado à noite e ir tomar sol com ela na praia no domingo de manhã.

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!