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Não sou fake, mas sou várias pessoas em uma

Universa

17/04/2018 04h00

Sabe essa foto aí em cima? Essa sou eu. Ou algo que eu seja entre 1% e 5% do tempo. No tempo restante eu sou outras várias. Tenho cinco tatuagens, um piercing no nariz e o cabelo ondulado – que mantenho liso por achar que combina mais com o formato do meu rosto. Não pinto as unhas toda semana e às vezes uso óculos de grau que não tem grau. Hoje me chamaram de fake por causa dos óculos. Podiam ter chamado por causa do silicone nos peitos. Pelos peelings que já fiz para clarear manchas de sol na pele. Pelos pelinhos do corpo que descoloro a cada duas semanas…

Mais do que avaliar minha vaidade, fiz uma retrospectiva da minha história. É, não sou essa mulher com cara de bem-sucedida, com traços de classe média. Sou uma menina que parecia um menino desde bebê. E na infância e na adolescência não me achava bonita. Isso me fez cultivar hábitos diferentes da maioria das pessoas da minha idade. Adorava mergulhar na leitura. Tinha como passatempo resolver palavras-cruzadas e escrever histórias que me transportassem daquela realidade. Nem vou me aprofundar sobre a relação complicada entre meus pais, o divórcio, o sequestro, a alienação parental, os abusos, nem na minha ideia de suicídio aos 11 anos de idade. Resumo com um "não foi fácil".

Entreguei folhetos promocionais nas ruas, fui babá, garçonete, locutora de carro de serenata, vendedora de lingerie. Fiz alguns cursos ligados à comunicação, comecei trabalhando no rádio, na TV, fiz faculdade de jornalismo e depois entrei na casa do BBB. Demorou. Tive muito chão. Ouvi muito "não". Nada veio "de mão beijada". E depois dos holofotes, mais estrada. Outros cursos, outras especialidades, outras moradas. Entendi que a vida não acontece de forma crescente, mas cíclica.

Sou tímida e sou Dj. Eu me considero muito reservada, entretanto escrevo sobre minhas intimidades mais sórdidas. Não sou fake. "Sou mil possíveis em mim e não posso me contentar em ser apenas um deles", como explica a frase, de autor desconhecido, que ouvi aos 20 anos, do meu professor de Filosofia.

Os dias muito bons passam; os ruins, também. Por equilíbrio. Por graça. Um momento incrível é um presente; um péssimo, igualmente. Sempre. E eles acontecem sucessivamente ao longo do caminho que é percorrido enquanto buscamos sentido… Justamente para o que deve ser sentido, não racionalizado.

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!