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Afrodites: o grupo de mulheres onde homem não entra

Universa

16/05/2018 04h00

Créditos: Karlos Eduardo

Formada em Administração e com MBA em Comércio Exterior na USP, Luciana Vilela trabalhou por 17 anos como diretora de crédito em um banco renomado. Durante esse período, enfrentou a depressão duas vezes e precisou correr contra o tempo para realizar um de seus maiores sonhos, o de ser mãe. Engravidou aos 35, por fertilização in vitro, e decidiu que para passar mais tempo ao lado da filha, Luiza, que hoje tem 9 anos, precisaria mudar radicalmente a rotina. “Queria continuar trabalhando, ter minha independência financeira, mas queria viver também. O banco pra mim era uma prisão”, recorda.

Há dois anos e meio Luciana criou uma página no Facebook para reunir mulheres com interesses comuns como maternidade, sexo, psicologia, educação infantil e até tarologia. “Existem muitos grupos de mulheres nessa rede social e nenhum supria minha vontade de ter uma revista eletrônica e encontrar todos esses assuntos num único lugar.”

“Praticamente uma maçonaria feminina”

Restrito, o grupo que começou no Face e atualmente reúne mais de 23 mil mulheres – a maioria entre 25 a 44 anos – ampliou seu campo de atuação e, além da página na rede social, oferece produtos e serviços e organiza eventos temáticos mensalmente. Ora são chás com mesas de debate com profissionais dos mais diversos segmentos, ora festas temáticas suntuosamente decoradas e cheias de gogo boys.

“Os homens não podem participar dos eventos porque o grupo Afrodites é 100% para mulheres. Os palestrantes são direcionados para a mulher e é um momento nosso. Os homens se reúnem pra jogar futebol, eles têm maçonarias, e até existe maçonaria pra mulher, mas é muito pequena. O Afrodites hoje é praticamente uma maçonaria feminina. Temos os nossos eventos secretos e lá não entra homem. Tem alguns que acham que a mulher nesse tipo de evento vai ‘tá’ fazendo alguma coisa errada, traindo, atrás de coisas que talvez eles, quando participem de eventos masculinos, façam. Em nenhum dos nossos eventos tem sexo. Os strippers tiram as roupas, mas não ficam nus. É outro tipo de evento”, explica Luciana.

Empoderamento e autoestima

“Antes eu não conseguia fazer amizades, fora que tinha acabado de sair de um relacionamento conturbado. Meu ex me prendia muito e me deixava insegura por estar acima do peso. O grupo veio na melhor hora pra mim. Lá conheci pessoas novas, com quem posso contar e fui ganhando mais segurança. Eu tinha muita vergonha de dançar e agora eu ‘tô’ uma pessoa mais livre, espontânea, divertida. Consegui ser uma outra Valéria. Entrei na academia, emagreci e foi importante pra mim, pra saber que eu posso, eu consegui”, emociona-se Valéria Reis, de 42 anos.

“Uma mulher de 39 anos sem estar casada, sem ainda ter filhos, não está adequada ao que a sociedade impõe. Passei por uma cobrança excessiva de tudo isso. Tive síndrome do pânico (transtorno de ansiedade que gera ataques de medo intenso). Perdi um relacionamento. E aí você tem um conflito por todas as perdas que passou. O grupo trouxe esse resgate, sempre tratando da mulher como um ser único, um ser capaz que tem muito poder, que pode agir de igual para igual. Você vai se dando conta de que ter prazer e ser feliz está no seu destino”, celebra Taís Aires, jornalista e coordenadora pedagógica.

Para a assessora administrativa Priscila de Souza, 44, há um ano no Afrodites, a experiência tem sido libertadora: “Fui em vários eventos do grupo, com palestras, e isso ajudou a me conhecer, conhecer meu corpo…. Sou solteira, tenho alguns traumas de namorados e, com as conversas com as meninas fiz várias amizades. Os encontros têm me ajudado a conversar. Quando a gente senta nos chás em grupo tratamos de vários assuntos e isso me ajuda muito, até no meu trabalho.”

Divisor de águas

A empresária Caroline Nalini, 31 anos, mãe de um menino de 10 e de uma menina de 7, diz que por ter sido uma criança gordinha sempre teve problemas com a autoestima e nunca tinha se aceitado completamente. Se casou aos 20 anos, com o homem que ela achou que era seu príncipe, mas o encanto durou pouco e o relacionamento foi ficando cada dia mais abusivo.

“No começo tudo eram flores, ele era um querido. Aquele ‘troca de blusa’ era um cuidado… Aquele ‘fica comigo e não sai com suas amigas’, um pedido de quem queria ficar mais comigo… Foram cinco anos de algumas privações até o primeiro tapa. Até começar a tortura emocional, as agressões mentais e físicas, o abuso sexual – e eu achava que era culpada por não querer transar todos os dias”, conta.

“Com o grupo descobri uma nova Caroline, que ele tinha apagado. Eu era muito mais segura, engraçada. O grupo foi importante nessa parte da autoestima, do empoderamento. Passei a me achar bonita, gostosa. Conheci novas histórias. Vi que a minha não é tão anormal. Vi que o meu casamento estava falido mesmo, que não dava mais certo. Hoje dou graças a Deus por ser divorciada. Hoje me permito. Ainda penso em casar. Aliás, não sei se penso. Sou geminiana.”

 

Sobre a Autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o Blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!

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