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O que querem as lésbicas

Universa

06/11/2018 04h00

O que toda lésbica quer? (Foto: Arquivo Pessoal)

O que toda lésbica quer? Um mozão. Mas essa "prínspa" mora pra lá do reino Tão Tão Distante. E não é só a distância física que pode separar dois corações sapatônicos. Quando não são quilômetros e mais quilômetros de lonjura, existem problemas ainda mais difíceis de contornar: a família que é contra; a ex que é possessiva; a dúvida sobre "ser ou não ser lésbica", entre tantos outros abismos. Já despenquei de vários, inclusive.

Se eu fosse hétero, minha vida seria muito mais fácil. Juro. Porque eu entendo a cabeça dos homens. São descomplicados, práticos. Eu não entendo a das mulheres. Namorei uns caras bonitos, gentis, divertidos… Mas quando pensava no futuro, imaginava a gente passando a lua de mel na praia… e eu desejando as mulheres de biquíni. Não seria justo. Nem comigo, nem com nenhum deles. Eu merecia viver o amor intensamente, eles também.

É claro que há mais de uma década ainda não tínhamos sido refrescados por essa onda "prafrentex" que molha nossos pés hoje. Relacionamento aberto, poliamor ou ménage não eram tão populares. Ainda assim, há uma diferença gritante entre o que podemos e o que realmente queremos fazer. E eu não queria nada disso com um homem, por mais interessante que ele fosse. Aí eu entendi que era lésbica mesmo, não tinha jeito. O que eu não sabia é que eu tava f*dida.

Lésbicas são intensas demais, complicadas demais e confusas. Pensando racionalmente, é uma completa insanidade juntar duas pessoas assim. Mas a gente é tinhosa. Se tem o coração partido em 1.244 pedaços hoje, é capaz de, amanhã ou depois, olhar pra frente e procurar com obstinação pelo próximo motivo lindo de 1 metro e 67 que vai picotá-lo novamente. Aí a gente desidrata de tanto chorar no ombro dos amigos, jura por Deus que aprendeu a lição, que não vai se iludir de novo, mas vai. Milhões de vezes.

Afinal, o que querem as lésbicas? Fiz essa pergunta no meu Instagram e morri com as respostas – se tem uma coisa que a gente faz melhor que ser trouxa, é rir da própria desgraça:

"Não ter problema – leia-se fogo na ppk – com ex embuste" (Imagem: Reprodução/Instagram)

"Mulheres fieis, que pensem no futuro"

"Achar uma sapatão decente que não morra pela ex e que more perto"

"Passagem aérea em promoção"

"Aplicativo lésbico que funcione"

"Pegar e não se apegar"

"Parar de gostar das 'causas perdidas' e de quem pisa na gente"

"Que as héteros parem de nos iludir" (Imagem: Reprodução/Instagram)

"Menos discussões e mais sexo"

"A proeza de encontrar uma crush que não esteja namorando"

"Mulheres com estabilidade emocional"

Bom, sobre a última frase, eu vou continuar procurando. A mulher ou a estabilidade emocional. As duas ao mesmo tempo não tem como.

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Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!

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