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Visões, vassouras e o diabo: fatos e mitos sobre as bruxas contemporâneas

Universa

2013-03-20T19:04:00

13/03/2019 04h00

Bruxa Bábara Schrage, a Babi, com seu caldeirão num ritual de limpeza energética (Foto: Arquivo Pessoal)

Esqueça o que você aprendeu sobre os ingredientes escalafobéticos que as bruxas usam para cozinhar nos desenhos animados. Elas não utilizam pernas de grilo, olhos de sapo, nem pelos de aranha. Num ritual de limpeza energética, como o da foto acima, há apenas álcool, ervas e intenções positivas.

"Bruxas são mulheres poderosas e sem medo. Feitiços funcionam. E bruxaria demanda estudo." Essas três verdades sobre as bruxas contemporâneas quem dispara é uma delas, Bárbara Schrage, a Babi, que também é reikiana, palestrante de ginecologia natural e dona um canal no IGTV, o @viva.alecrim, onde fala de tudo isso. "Bruxas não são más, nem mal amadas. E não existe nenhum demônio, tampouco o pacto com um na bruxaria", desmistifica. Resumindo: elas não fazem mal nem a uma mosquinha.

Toda bruxa tem gato?

Pergunto logo de cara, contando que tenho três. "Não, necessariamente", ela responde, explicando que "algumas preferem cachorro, outras não acham certo ter nenhum animal." E assim, Babi quebra mais um estereótipo – apesar dos cinco bigodes que tem em casa.

"E lá vamos nós" é a frase celebrizada pela Bruxa da Vassoura, que aparece em o Pica-Pau (Imagem: Reprodução)

– Você também voa numa vassoura que nem as bruxas?
– A vassoura eu tenho, mas ainda não consegui voar. Quem sabe um dia?
– Quando aprender a voar na vassoura pode me levar?
– Levo. Levo você e a minha gata preta.
– Não sei se vou conseguir ter poder.
– Vai, sim. Esse poder já existe, tá dentro de você. O poder principal da bruxa é o amor. E você tem bastante amor aí dentro.

Lúdico, o diálogo acima aconteceu entre Babi e a filha de uma paciente sua. A garotinha tem oito anos de idade. Quem é que, na infância, nunca sonhou em voar numa vassoura? Ou não imaginou como seria incrível conversar com uma bruxa? Isso já é possível (não o voo de vassoura, infelizmente) pelas redes sociais. A tag #bruxa no Instagram, por exemplo, traz mais de 200 mil publicações.

"Aos três anos eu via gente a mais nos ambientes e cores vibrantes em volta das pessoas"

"Desde muito cedo minha mãe notava que eu era diferente. Quando eu tinha três anos de idade, ela dizia que eu já via além do que tinha que ver (risos), como gente a mais nos ambientes ou cores vibrantes em volta das pessoas. Aos 11, comecei meus estudos. Wicca, xamanismo, magia cigana, umbanda, candomblé, dentre outros tantos que a magia e a bruxaria abrangem. Depois de mais de uma década, me considero uma bruxa espiritualista, que pratica magia natural", conta Giovanna Serrano, de 21 anos.

"Minha mãe e meu padrasto aceitam e respeitam, mas não praticam. Faço meus banhos, meus feitiços, proteções e limpezas na nossa casa e, por eles, tudo bem", conta Giovanna (Foto: Arquivo Pessoal)

"Eu acredito em algo maior, que rege toda essa energia do universo, que denomino Deus. E acredito em uma força feminina que nós devemos cultuar, respeitar e cultivar, que eu denomino Mãe Natureza. Pra mim, espiritualidade não tem nada a ver com religião. Às vezes a religião acaba com a nossa espiritualidade", opina Giovanna, pontuando ainda que não há um processo único e definitivo para quem deseja se tornar bruxa. "Sigo a magia natural. Nela você se torna uma bruxa ou mago a partir do momento que começa a manipular a energia dos elementos em prol da sua vida ou da dos outros. Se você sente que é uma bruxa, então você é", elucida Giovanna (@atocadabruxa_), que é bruxa e terapeuta holística.

"Somos energia em movimento. Que cada um possa respeitar a escolha do outro. Quem desejar ser bruxa, que não se oprima por julgamentos. Temos nosso próprio caminho a trilhar", diz Litha (Foto: Arquivo Pessoal)

Aos seis anos de idade, Talitha Egea dos Santos, a Litha, já tinha premonições e visões com espíritos. Aos 12, conheceu uma bruxa. "Ao me ver pela primeira vez, ela disse que me apresentaria ao meu verdadeiro caminho e me iniciou neste processo. Me identifiquei de imediato", recorda. Os familiares de Litha são testemunhas de Jeová, exceto a mãe e o irmão, que são espíritas. "Foi complicado e até hoje me acham estranha e me julgam, por desconhecimento", expõe.

"Não sou adoradora do demônio"

Formada em Administração, Litha (no Instagram, @minhaamigabruxa) concilia as duas áreas de trabalho, apesar do preconceito manifestado até mesmo pelos amigos. "Existe bastante medo. Não sou adoradora do demônio. Muitas bruxas não assumem seu segmento de vida por receio do julgamento social. Nos Estados Unidos, a bruxaria é aceita como religião. Dentro da bruxaria existem diversas ramificações, a Wicca é uma delas. Não gosto de me rotular. Pra mim, ser bruxa é ser livre de paradigmas. Todo mundo vê bruxas com rostinho verde e verrugas, só que as bruxas são mulheres bonitas, empoderadas e cheias de sede por conhecimento. Tirar essa visão que há séculos foi estigmatizada pelos inquisidores de nossas ancestrais é importante."

Poçãozinha, amor; poçãozinha, amor…

Quer fazer um teste e ver se a magia acontece? O "banho pra autoestima" é uma das poções preferidas da Babi. Anota aí:

Banho pra autoestima
(Poção mágica da Babi)

  • 1 canela em pau
  • 3 cravos
  • 500 ml de água
  • alecrim
  • pétalas de rosas vermelhas
  • artemísia
  • hibisco

Ferva a canela em pau e os cravos em meio litro de água. Quando levantar fervura desligue e jogue um punhado de alecrim, pétalas de rosas vermelhas, um pouco de artemísia e de hibisco. Abafe por 15 minutos e depois coe. Misture água fria e molhe da cabeça aos pés. "Durante o banho, peça para as ervas te ajudarem a sentir todo o seu poder pessoal: 'eu peço a Deus e eu peço à Deusa. Peço a todos os elementais dessas ervas que me auxiliem e me mostrem que eu posso tudo que eu quiser."'

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!