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Ela só perde pra Mia Khalifa no XVideos: "Sempre quis ser atriz pornô”

Universa

24/12/2019 09h52

"Sempre gostei de me olhar no espelho enquanto transava. Ficava me olhando e pensando: 'Nossa, sou muito sexy! Sou muito gostosa! Daria uma ótima atriz pornô" (Foto: Arquivo Pessoal)

Os 145 mil seguidores que Lolah Vibe tem no Twitter dão uma pequena ideia de sua popularidade. Mas bem pequena, mesmo. É na plataforma XVideos, que funciona como um YouTube pornô, que ela bomba: lá, seus filmes já foram vistos mais de 170 milhões de vezes. Seu canal, que tem menos de ano, já é um dos mais acessados do mundo e não para de crescer. "Hoje sou a segunda atriz mais vista no XVideos, atrás só da Mia Khalifa", comemora.

Lolah Vibe é o nome artístico de Saty Lee Flemming Pereira. Com inspiração indiana, essa foi uma homenagem de seus pais à Sati, deusa do amor e da feminilidade.

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Paulistana, a atriz de 29 anos conta que nunca conseguiu se adaptar a uma rotina de trabalho com dias e horários preestabelecidos. Por isso, até os 22, atuava em eventos. Num desses jobs, Saty conheceu uma garota que tinha feito filmes adultos. E tudo mudou.

"Pensei em fazer só um filme, levantar uma grana e parar"

"Me interessei e perguntei como funcionava, se ganhava bem. Tava precisando de grana. Foi numa época depois do Natal, tava endividada no cartão de crédito. A ideia era fazer um filme só pra levantar uma grana e já era. Fiz um e paguei tudo o que eu precisava. Depois, pensei em fazer outro para comprar uma moto. Aí fiz mais dois filmes", revela, sobre a época em que não tinha a menor pretensão de seguir carreira, muito menos ser conhecida. Ou reconhecida. Mas isso aconteceu.

"Eu tinha feito só esses três filmes e uma amiga do meu irmão viu e contou pra ele. Ele contou pro meu pai, que foi lá em casa e contou pra minha mãe. E foi aquela coisa!.. Em nenhum momento abaixei a cabeça e me senti errada. Fiz com o meu namorado, que era o Loupan (ator pornô veterano). Não foi algo errado, vergonhoso. Pra mim, sexo é algo supernatural. Minha família não gostou muito, mas com o tempo eles meio que aceitaram", diz.

Lolah e Loupan se conheceram em uma produtora de filmes adultos, começaram um relacionamento e só então gravaram juntos. "Eu já assistia a pornôs, mas aprendi muitas técnicas e posições com o Loupan. Meu primeiro anal foi com ele, em cena", recorda.

A parceria com o namorado ajudou na estreia de Lolah, mas o trabalho de uma atriz pornô é extremamente desgastante e, muitas vezes, abusivo. "Na 'Casa das Brasileirinhas' já rolou de eu estar fazendo uma cena e querer gozar e os caras falarem 'não vai gozar, você não tá aqui pra gozar'. E eles ficam acelerando, querem fazer tudo correndo", lembra.

"Na hora de começar a cena, eu apaguei. Eles continuaram gravando"

"E teve outra situação, bem séria, que foi a última vez que gravei pra eles. Sempre gostei de tomar uma bebida antes, pra ficar mais relaxada. E ao vivo você não pode parar, tem que tentar ir direto. E eu tinha feito uma cena no dia anterior e estava meio dolorida. O câmera sugeriu que eu tomasse um remédio pra dor. Dois comprimidos de uma vez. Tomei com vodka. Na hora de começar a cena, eu apaguei. Eles continuaram gravando."

Traumática, a experiência deixou marcas indeléveis. "Depois da cena – que eu nem lembro –, me levaram pro chuveiro e eu fiquei sentada lá por horas. Uma outra menina que estava na casa é que me tirou do chuveiro e me colocou na cama. No dia seguinte, assisti ao vídeo e tava horrível! Eu totalmente dopada, revirando os olhos. Qualquer pessoa normal vê que eu não tô bem."

Por relatos como o de Lolah, existe uma corrente do feminismo que defende o fim da indústria do sexo. Conhecida como abolicionista, essa vertente sugere que as  mulheres que escolhem esse segmento não o fazem por opção, mas por imposição, já que historicamente as mulheres são impelidas a serem submissas e acabam atraídas por uma falsa ideia de empoderamento.

"As mulheres eram usadas e ninguém estava nem aí; hoje isso está mudando"

"Fiquei sabendo desse movimento. Quando você trabalha pra uma produtora, você tá ali recebendo um cachê e obedece. Se eu estivesse em sã consciência, teria falado 'vamos parar e dane-se o dinheiro, dane-se tudo!'. Eu não estava em condições. O cara que tava comigo, que era o meu namorado, inclusive, poderia ter visto e falado. Só que ninguém se manifestou. Com as antigas produtoras isso era muito recorrente, as mulheres eram usadas e ninguém tava nem aí. Agora nós, atrizes e atores, estamos abrindo nossos próprios canais, nossas produtoras, então acho que a pornografia 'limpa' tá nascendo. Já não é mais aquela coisa: chega, mete, goza na cara dela e sai fora, sabe? Isso tá mudando através da gente. Estamos abrindo nossos próprios canais e fazendo da forma que realmente deveria ser", pondera.

"Nunca mais gravo pra nenhuma produtora. O tratamento é pobre, oferecem pão com mortadela e refrigerante pra um dia inteiro de gravação,  e o cachê é ridículo. Não vale a pena. Hoje consegui me libertar, tenho autonomia, e isso é a melhor coisa na minha carreira" (Foto: Arquivo Pessoal)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!

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