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O que é que a Parada tem? Entenda, em 7 histórias reais

Universa

01/06/2018 04h00

"Fui à Parada de São Paulo no ano passado, pela primeira vez. Achei incrível como toda aquela multidão se respeitava", Caroline Franckzak

Como explicar para um heterossexual o que é a Parada do Orgulho LGBT? Porque parece um Carnaval, mas não é. Parece uma passeata, mas não é. Não é uma coisa só.

Como explicar para homossexuais, dos reservados aos enrustidos, que a Parada não é um desfile espalhafatoso de luxúria e excentricidade, tampouco uma grande sauna gay a céu aberto? Há reivindicações e manifestações políticas, só que sem monotonia.

Para algumas pessoas – e eu sou uma delas – a Parada foi a primeira oportunidade de beijar a namorada em público e caminhar na rua de mãos dadas sem ser alvejada por olhares curiosos ou reprovadores. Pelo contrário.

Leia também: Como alguém pode ter certeza de que é bissexual?

A regra é clara:  só viado e sapatão pode se chamar de viado e sapatão

Naquele momento, aos 17 anos (hoje tenho 33), me senti abraçada por cada família que, das calçadas e das janelas de seus apartamentos, acenava com bandeiras do arco-íris (maior símbolo da causa LGBT+) com sorrisos abertos e afetuosos. Essa experiência de tantos anos atrás me marcou para a vida. Me fez acreditar que mesmo muito diferentes as pessoas podem estar do mesmo lado. Há quem tenha vivenciado algo muito próximo ao que senti; há quem desaprove o evento e tenha suas razões para isso. Aqui estão algumas dessas histórias:

"Já fui a algumas Paradas no Brasil (São Paulo, Goiânia, Rio de Janeiro) e fora (Bruxelas, Madri, Amsterdã) e a principal diferença, na minha opinião, é que no Brasil ainda temos uma pegada de protesto, de exigir nossos direitos… Fora eu percebo que estão num clima de celebração por tudo que foi conquistado. Espero o dia que no Brasil será assim também, apenas uma comemoração por termos direitos iguais, por sermos tratados iguais." Thaisa Martins, 27, assessora de cidadania e vistos

Emily (à direita, de blusa branca) com amigos e o irmão (logo atrás), numa Parada em 2014

"Amava quando tinha a Parada aqui no sul de Minas, em Poços de Caldas. Uma vez, enquanto desfilávamos atrás do trio, os idosos que saíam da missa batiam palmas pra gente. Alguns nos abraçavam e diziam pra sermos fortes. Um respeito e um carinho enormes!" Emily Louzada, 26 anos, Pouso Alegre/MG

Felipe e a mãe, Fabíola, que conhece e respeita sua orientação sexual

"A primeira vez em que fui à Parada eu era menor, tinha 16 anos, não era assumido e disse pra mãe que iria comemorar o aniversário de um amigo no churrasco (risos). Eu ainda estava me descobrindo, tudo pra mim era novidade, queria conhecer tudo no meio LGBT. Hoje, com a cabeça mais aberta, posso dizer que a Parada é uma cultura para que a sociedade possa ver, respeitar e participar. E também é uma manifestação contra a homofobia, que ainda existe." Felipe Oliveira, 22 anos, Recife/PE

"A ideia da Parada é ótima, mas virou micareta. Fui roubada por uma gangue de gays, levaram meu celular. Ao invés de nos unirmos por nossa luta, as pessoas saem para a Parada pra pegação e causar prejuízos. Depois disso desgostei, infelizmente." Carol Alamino, cantora, Lagoa Santa/MG

"Foi na Parada que eu assumi minha sexualidade pros meus amigos, pois antes disso não tinha coragem de contar mesmo sabendo que eles eram gays. Foi incrível! É maravilhosa essa sensação de ser aceita." Alexsya Silva, estudante de Medicina, 21 anos, Teresina/PI

Estudante de Publicidade, Caroline Franckzak foi à Parada com uma camiseta com os dizeres "Lésbica Futurista"

"Fui à Parada de São Paulo no ano passado, pela primeira vez. Achei incrível como toda aquela multidão se respeitava. Não tinha aquilo de pisar no pé e sair briga, olhar para alguém e sair briga. Fora a questão do 'não é não!', que realmente funciona. Quando diziam 'Não estou a fim' ou 'Eu namoro', aconteciam pedidos de 'Desculpa! Boa festa!'. Isso me surpreendeu demais e é uma coisa que vai me fazer voltar este ano."
Caroline Franckzak, 20 anos, Cubatão/SP

22ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo: domingo, 3 de junho
Shows confirmados: Pabllo Vittar, Preta Gil, Mulher Pepita, Lia Clark e April Carrion
Local: Avenida Paulista
Horário: das 10h às 18h
Entrada gratuita

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!