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"Casada, exibicionista, adepta de swing e cam girl"

Angélica Morango

25/07/2018 04h00

"Casada, exibicionista, adepta de swing e cam girl" (Foto: Arquivo Pessoal)

Em seus perfis no Twitter e Instagram, Thay se define como casada, exibicionista, adepta de swing e cam girl. Nas redes sociais, com mais de 75 mil seguidores, suas fotos e vídeos são bem mais comportados que os de outras mulheres e casais que usam as mesmas plataformas para publicar suas façanhas sexuais por diversão. É que para ela, o que começou como fetiche se transformou em um negócio rentável: para ter acesso, por um mês, ao conteúdo mais picante de seu site pessoal, é preciso desembolsar R$ 39,90.

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Prazer e trabalho podem ser aliados? Ela garante que sim, mas com uma ressalva: "só entro na 'cam' se me sentir bem comigo, ou não entro. Não faço apenas pelo dinheiro. E para ganhar dinheiro tem que fazer um trabalho sério, ter horários, regras, se divulgar e, o mais importante, respeitar opiniões".

A "cam" a que Thay se refere é a câmera de sua sala no Câmera Privê, um site para pessoas maiores de 18 anos que queiram interagir e assistir shows de striptease virtuais pela webcam, onde ela também trabalha. Lá, os pacotes de créditos custam de R$ 29,90 a R$ 299,90.

"Ali (no Câmera Privê) você está tratando com pessoas, com emoções, fantasias. Muitos têm fantasias há muito tempo e não têm com quem conversar, com quem dividir. Homens casados que têm vontade de ver a esposa com outro, mas a esposa não compartilha da mesma ideia. A maioria deles prefere isso a sexo com duas mulheres." (Foto: Site/thayksada.com)

Amor, swing e exibicionismo

Thay, que tem 33 anos, e o marido, "Fer", de 35, estão juntos há 17 anos, desde a adolescência, quando engravidaram. O segredo da longevidade do relacionamento, segundo ela, é a cumplicidade. "Quando resolvemos casar já tínhamos certo que daquele momento em diante iríamos fazer tudo juntos. Claro que não imaginávamos isso tudo, né?! Primeiro começamos a fazer swing. O exibicionismo surgiu depois, por ideia do Fer, e acabei gostando muito. Quase todos os casais de swing fazem muitas fotos e vídeos, inclusive temos vídeos que não postamos ou divulgamos, são nosso acervo pessoal mesmo. Vídeos de swing e ménage são reais, não somos atores, nada é programado, o que rola é prazer mesmo. Gravar sem cortar o clima, de um jeito que fique legal, é bem complicado".

Para praticar o swing, que é, basicamente, a troca de casais em uma relação sexual, os dois precisam aprovar os novos parceiros. "Sempre procuramos entender bem o outro casal antes de algo real. Nunca marcamos com um casal para fazer algo de cara, e sempre procuramos pessoas mais reservadas. A maioria não mostra o rosto e, mesmo que mostre, pessoalmente sempre muda um pouco e pode não rolar afinidade. Começa com um bate-papo qualquer e aí tudo flui mais gostoso ou não flui. Conhecemos dezenas de casais com quem nunca saímos para algo mais e são grandes amigos nossos, mas já aconteceu de conhecermos casais e a sintonia ser tão boa que rolou logo de cara", entrega ela.

"Não mostro o rosto porque quero preservar minha família e a mim. Não faço isso porque quero ser famosa, faço porque gosto, só que amanhã posso não gostar mais." (Foto: Site/thayksada.com)

Preconceito e hipocrisia

Mesmo que diversão, prazer e trabalho caminhem lado a lado, existem obstáculos e, segundo Thay, até uma certa hipocrisia. "Já conhecemos vários casais que publicamente falavam muito mal do swing e frequentavam casas de swing, e já saímos com diversas mulheres que ficavam a todo momento ofendendo e criticando esse mundo e depois ficaram com a gente." Até entre amigos pessoais, há quem se oponha às escolhas pessoais e profissionais dos dois: "acho que falta um pouco de educação para respeitar as escolhas das pessoas. Um casal de amigos descobriu que eu estava trabalhando como cam girl e senti que a relação não foi mais a mesma. Apenas deixei rolar, o tempo conserta tudo".

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Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!