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Namoro à distância: credo ou que delícia?

Universa

2027-04-20T19:04:00

27/04/2019 04h00

Jaqueline e Caroline moravam a 800 quilômetros de distância (Foto: Reprodução/Instagram)

Acontece mais ou menos assim: você tá ali, curtindo um rolê aleatório, até que de repente PLAU! Conhece alguém. E não é qualquer pessoa – é um anjo com "zero defeitos". Basta meia dúzia de frases pra você ter a certeza absoluta de que encontrou o amor da vida. Só tem um detalhezinho: a lonjura. Mas tudo bem. Você acredita no poder de um "vem de zap, bb" e tem fé no Pai que a promoção de passagens sai. Se tudo ocorrer como planejado, vocês vão se ver em breve e vai ter até chuva de arroz. Será?

"Eu tinha 24 anos quando a conheci em um grupo no Facebook. Começamos a conversar e senti algo por ela. Começamos a namorar. Ela em Minas, eu em Pernambuco. Era aquele romance cheio de mensagens carinhosas, toda essa melação que rola entre dois idiotas apaixonados", recorda o administrador de empresas Tomas Alcântara, 26, que mora em Recife. Para aplacar a saudade – e o tesão – os dois trocavam fotos e se falavam por telefone e em chamadas de vídeo. "Na hora do sexo nossa química era tão gostosa que rolava fácil. Ela não tinha vergonha de nada, a ponto de se masturbar e gemer mesmo, gemer de me deixar louco do outro lado do Brasil! Arrisco até a dizer que era melhor e mais gostoso do que qualquer outra mulher me fez sentir! Era incrível! Às vezes me sentia louco por estar fazendo aquilo, mas viciou", revela.

Não era amor, era cilada!

O conto de f*das durou dois anos, até Tomas descobrir a farsa. "Foram dois anos perdidos! Nesse período ela casou, teve filho, separou, fez um monte! Não me pergunte como fui tão trouxa, não sei responder! (risos) Foi uma das piores decepções da minha vida. Descobri tudo na segunda-feira passada", conta ele, desolado. Quem teve mais sorte – ou apenas aprendeu a lidar com as idas e vindas das paixões platônicas – foi a bacharel em Relações Internacionais Fabiana de Paula, que mora em Brasília.

"Quando tudo o que você mais quer é o abraço, o beijo e o cheiro da pessoa ali contigo, a realidade virtual machuca bastante", reflete Fabiana (Foto: Reprodução/Instagram)

"Começou na adolescência", conta Fabiana, que já viveu três namoros à distância 

"Tudo começou quando eu tinha 12 anos, auge da minha adolescência, e era apaixonada pelos circuitos de rock independente. Nesse meio eu conheci diversas pessoas, amigos que levo comigo até hoje, e o meu primeiro namorado, o Matheus, que na época tinha 14 anos. Só que eu moro em Brasília, e ele morava no Rio de Janeiro. Eu era completamente apaixonada por ele! Digitação vai, digitação vem, 'noivamos'. Matheus chegou a vir me ver algumas poucas vezes. Levamos esse relacionamento até as vésperas dos meus 17 anos, que foi quando a reviravolta aconteceu: terminei com ele e conheci Janaína, a minha primeira namorada. Me entendi bissexual e aceitei o meu desejo por mulheres. Conheci a Jana pela internet, num grupo lésbico. Ela era de Salvador, 1.532 quilômetros nos separavam. Nos encontramos pessoalmente, namoramos por alguns meses, mas logo acabou", conta ela, que depois começou um novo namoro, também online, em um grupo no Whatsapp. "Quando tudo o que você mais quer é apenas o abraço, o beijo e o cheiro da pessoa ali contigo, a realidade virtual machuca bastante", reflete.

"Em uma semana ela me pediu em namoro, em dois meses foi morar comigo"

Quando se esbarraram em uma balada em Porto Alegre, Jaqueline Martin, 32, e Caroline de Pingo, 30, não podiam imaginar que moravam a quase mil quilômetros de distância. "Nos apaixonamos, e em uma semana ela me pediu em namoro, pela webcam. Em dois meses ela foi morar comigo, e depois de dois anos nos casamos no civil", lembra Jaqueline.

Juntas há cinco anos, Jaqueline e Caroline vivem em Balneário Camboriú, em Santa Catarina (Foto: Reprodução/Instagram)

Poliamoristas, as duas conversaram sobre o assunto logo no início da relação. Jaqueline explica que, na prática, ser poliamorista é ter um relacionamento amoroso ou sexual com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, com o conhecimento e o consentimento de todos os envolvidos. "Muita gente acha que somos avançadas, modernas, evoluídas, mas pra gente é muito normal. Eu não queria mais ter um relacionamento monogâmico porque antes todos tinham um prazo de validade, geralmente duravam dois anos. Nesses cinco anos juntas nos relacionamos com muitas pessoas, curtimos, mas agora definimos que não é mais o que a gente quer hoje em dia. Queremos continuar sendo poliamoristas, mas com uma pessoa pra dividir isso com a gente. Uma única pessoa."

"Agora sentimos falta do nosso espaço"

Renata, 36, e Carla, 40, se conheceram em São Paulo, seis meses antes de Renata se mudar para a Europa. "Eu moro em Madri, ela em Londres. No primeiro ano viajávamos a cada um ou dois meses. E ficamos assim, entre idas e vindas, por oito anos. Até que resolvemos dar um tempo por outros motivos, nada por distância ou traição. Então ela me pediu em casamento. Aceitei, e nos casamos em Londres", conta a cenógrafa Renata Vilardi. Juntas há dez anos e habituadas ao relacionamento à distância, elas não conseguiram se adaptar à nova rotina. "Quando morávamos separadas era mais fácil. Cada uma com seu jeito, suas manias, era sempre uma lua de mel. Claro que sentíamos falta de programas como assistir a um filme, sair, ir a restaurantes… Mas agora que estamos juntas sentimos falta do nosso espaço. Decidimos ter um cachorro como filho, o que nos deu responsabilidade e brigas também. Então resolvemos nos separar de novo. Ela vai voltar para Londres com o nosso filho, porque viajo muito a trabalho, e eu vou ficar em Madri. Talvez existam casais que são melhores em casas separadas, em cidades distantes. Talvez sejamos um caso deste. Acho que tudo ao redor influencia: a cidade, as pessoas, os programas. Eu sou feliz em Madri, e ela em Londres. Foi difícil. Mas pra que viver mal se podemos viver bem, não é mesmo?!"

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!