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Guiando uma Kombi, ela viaja pelo mundo, aos 32 anos, e com suas duas gatas

Universa

2003-05-20T19:04:01

03/05/2019 04h01

O cenário paradisíaco em Alcobaça/BA já foi o "jardim de casa" de Sarah, que viaja pelo litoral brasileiro (Foto: Arquivo Pessoal)

Sabe aquela vontade de largar tudo e viajar pelo mundo? A Sarah sabe. A dois dias de seu aniversário de 28 anos, ela escreveu uma lista com os desejos que queria realizar antes dos 30. Entre os itens, alguns bem simples como aprender a nadar e comer mais frutas e verduras; outros, bem mais ambiciosos, como cruzar as Américas e chegar aos Estados Unidos em um motorhome. O "detalhe" é que ela não tinha carteira de motorista, nem o veículo, e, na época, contava com a ajuda da mãe para conseguir fechar as contas no fim do mês. Estudante de psicologia, Sarah estava no sétimo período do curso quando decidiu trancá-lo e colocar todos os seus sonhos em prática. Todos mesmo.

"Quando eu decidi que o que eu queria era realmente isso, não tinha nem R$ 5 pra ir ao cinema, quem dirá comprar um motorhome!", recorda, aos risos. "Meu pai é guitarrista. Na música desde a infância, aprendi a tocar bateria muito cedo e participei de várias bandinhas de rock de meninas. Depois me encantei pela música eletrônica e me tornei DJ. Como todo músico, tinha o sonho de viver na música, e isso inclui viajar, conhecer lugares, culturas, batidas, pessoas… A alternativa que encontrei foi uma viagem ao mundo de Kombi."

Baterista e DJ, Sarah B se apresenta pelas cidades do caminho (Foto: Arquivo Pessoal)

O começo de tudo

"Minha mãe me ajudava na época com um trocadinho pra pagar a faculdade, mas não sobrava nada. Eu vendia cosméticos e ganhava uns R$ 300 pra gastar em coisas pessoais. Uma amiga, que é contadora, me ajudou a fazer o planejamento financeiro pra comprar a Kombi. No fim do primeiro ano eu tinha juntado em torno de R$ 50 mil trabalhando 20 horas por dia e correndo a cidade toda com entregas aos sábados, domingos e feriados. Durante aquele período não comprei uma bala, todo o lucro era reinvestido, tudo em prol de um objetivo. No segundo ano comprei a Kombi Safari mais barata que encontrei e decidi reformar", conta.

Catarinense de Tubarão, Sara Barbosa Estevão, a Sarah B, morava em Florianópolis quando tomou a decisão mais importante de sua vida. Há mais de dois anos na estrada, ela subiu pelo litoral brasileiro e, neste momento, atravessa o sul da Bahia. "O medo faz parte, não existe aquela pessoa que não sente. Não saí sozinha de Floripa, divulguei a viagem um ano antes, nas redes sociais, e troquei muitas ideias com amigos viajantes. Vários trajetos foram feitos em comboio com cinco, seis, sete carros juntos. Estes amigos pegam seus dias de folga e fazem tanto a viagem quanto o acampamento conosco. Acabou se tornando uma comunidade, uma grande família. E no fim de tudo, aquela amiga que me ajudou com todo o planejamento acabou vindo junto."

Vários trajetos são feitos em comboio (Foto: Arquivo Pessoal)

Há duas outras viajantes na Kombi, as gatinhas Mimi e Bebeth. "Dois meses antes da viagem eu comecei a dormir na Kombi com elas, pra se acostumarem. Levei os paninhos e as caminhas para que elas pudessem sentir familiaridade com o ambiente. Desde então, elas têm a Kombi como a casa segura delas. São castradas, nunca vão pra longe. Em lugares muito movimentados, dou voltinha de coleira; em lugares mais tranquilos, deixo soltas. Elas ficam à vontade", explica.

"Poder carregar sempre minhas filhas (gatas) comigo era um dos meus sonhos" (Foto: Arquivo Pessoal)

Cosméticos, shows e artesanato 

"O segredo de ter dado tudo certo é que nossos custos são muito baixos. Tenho uma conta anual de 300 reais, que é o licenciamento do veículo. Entre gasolina, manutenção mensal da Kombi e alimentação, gastamos mais ou menos R$ 1.500 por mês. Mantenho uma plataforma online de venda dos cosméticos, onde antigos clientes continuam comprando, e tenho a renda dos shows e eventos que faço. No Rio de Janeiro um amigo nos ensinou a fazer artesanato. Não é só o trocado que entra, mas quem tem intenção de fazer algo para nos prejudicar vê que vendemos artesanato e desiste. Vender artesanato mostra o minimalismo em que você vive."

"O litoral foi escolhido estrategicamente porque é mais fácil pra fechar shows de música eletrônica, gosto muito de praia" (Foto: Arquivo Pessoal)

Da lista com 25 desejos, faltam só oito a serem realizados. Sarah, hoje aos 32 anos, não tem pressa. "A previsão é de mais cinco anos até a América do Norte. No Brasil eu posso demorar; em outros países tenho entre três e seis meses em cada, terei que correr mais. Chegando à América do Norte, se der tudo certo, colocamos a Kombi em um contêiner e vamos pra Europa."

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!