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"Dá certo o namoro entre lésbicas ativas que nunca foram passivas na vida?"

Universa

28/08/2019 04h00

Existem lésbicas ativas e passivas? Sim. Mas eu diria que esse é um tópico de nível "intermediário". Pra gente chegar lá, é preciso entender o básico: o que é ser lésbica? O Dicionário Online de Português define lésbica como uma "mulher que sente atração afetiva e/ou sexual por outra mulher". Na teoria é bem simples; na prática, nem tanto. Neste que é o Mês da Visibilidade Lésbica, o assunto não podia ser mais pertinente.

Quem pode determinar que uma mulher é lésbica? Só ela mesma

Não é assim: você fica com uma mulher hoje e cinco dias depois recebe em casa uma carteirinha da frota Siga Bem Caminhoneira. Ninguém te envia um box com todos os sucessos de Cássia Eller, Maria Gadú e Ana Carolina. Camisas xadrezes não brotam misteriosamente no armário, nem surge uma placa em néon sobre a cabeça com a palavra "sapatão".

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Beijar uma mulher não torna outra mulher lésbica. Transar, tampouco. A sexualidade humana é bem diversa. Algumas mulheres vão se identificar como bissexuais, por sentirem atração por pessoas de ambos os sexos; outras vão achar mais adequado o termo heteroflexíveis, que significa que se identificam como heterossexuais, mas eventualmente podem se interessar por pessoas do mesmo sexo. Num vasto leque de possibilidades há, inclusive, quem rejeite as definições e os rótulos. E tudo bem.

Na cama, os rótulos ajudam ou atrapalham?

Na minha opinião, ajudam, porque dão uma pista do que pode rolar. É claro que ninguém precisa sair por aí se apresentando com o nome, a idade e contando logo de cara as preferências sexuais (apesar de aplicativos como Grindr e Scruff, para homens gays, estimularem exatamente isso: um papo reto). Se, entre os meus amigos, cinco minutos é tempo suficiente pra determinar se o match no app vale um encontro, entre as mulheres cinco minutos não são suficientes nem pra ver se o signo e o ascendente combinam… Somos mais românticas que eles? Talvez. Acredito que isso explica, por exemplo, a ausência de "saunas" e outros pontos de pegação exclusivos para mulheres. Sexo casual é gostoso, mata a vontade, mas fazer amor é divino.

Ativas, passivas e flex

No Instagram, me perguntaram se "dá certo o namoro entre ativas que nunca foram passivas na vida e vice-versa?". Primeiro eu gaitei, porque me identifiquei com essa dúvida. Muitos anos atrás, quando ainda era uma girininha, eu tive essa curiosidade e sondei todas as minhas amigas do brejo. Desta vez, compartilhei a questão numa rede social e recebi centenas de respostas. Das 568 pessoas que participaram da enquete, 375 (66%) acreditam que sim, existem lésbicas ativas e passivas, e 193 (34%) pensam que não. Quem acertou? Depende da ideia do que é ser passiva e ativa.

Dois terços dos participantes da enquete acreditam que existem, sim, lésbicas ativas e passivas (Imagem: Reprodução/Instagram)

Ativas seriam as lésbicas que tomam a iniciativa na transa e que se colocam em posições sexuais dominantes? E as passivas, representariam exatamente o oposto disso? O assunto é complexo porque não existem verdades absolutas, nem definitivas. Há um meio-termo entre um ponto e outro, que é a flexibilidade e a alternância. Sim, o tesão pra "dar" ou "comer" pode variar tanto quanto o estado de humor. Pode. Não significa, necessariamente, que vá.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!