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“Como eu me apaixonei pela minha melhor amiga”

Universa

22/01/2020 04h00

"Antes eu me considerava cem por cento hétero e nem cogitava viver um amor com uma mulher. Quando eu pensei em ficar com a Sabrina, vi que essa minha visão já tava começando a mudar", entrega Maria Luisa, na thread que bombou nas redes sociais  (Foto: Reprodução/Twitter)

"Como eu me apaixonei pela minha melhor amiga e a história do nosso namoro." É assim, desse jeito despretensioso, que a estudante Maria Luisa Neves começa uma série de revelações que viralizaram no Twitter.

Com fotos e detalhes minuciosos da relação que começou há três anos, as postagens geraram, quase que instantaneamente, mais de 200 mil reações entre curtidas, comentários e compartilhamentos na rede. E toda essa repercussão tem um porquê: o romance, real, é cheio de reviravoltas e tem final feliz – daqueles que deixam o coração quentinho e renovam a fé no amor.

As estudantes Sabrina Araújo e Maria Luisa Neves (frente) se conheceram há pouco mais de três anos, quando cursavam o ensino médio (Foto: Reprodução/Twitter)

Colegas de sala

"Conheci a Sabrina em dezembro de 2016, quando ela foi visitar a minha escola e cogitava entrar na mesma sala que eu. Eu era muito extrovertida e a chamei pra ir à minha casa comer um macarrão instantâneo. Depois desse dia ela decidiu entrar na minha escola, foi pra minha sala, e a gente ficou muito amiga. Eu a incentivava a ficar com os meninos e ela me escutava quando eu brigava com os meus namorados", conta Malu, no microblog.

Depois de um ano de amizade, o laço entre elas foi ficando mais estreito. As constantes manifestações de carinho e a troca cada vez mais frequente de selinhos começaram a mexer com os sentimentos das duas. "A gente zoava dizendo que tava namorando e ficava de mãos dadas o tempo todo, além de escrever bilhetinhos falando 'te amo' e essas coisas. Um dia a Sabrina foi lá pra casa e a gente deu nosso primeiro beijo. Eu achei que a gente tava ali só por diversão, mas no momento em que a minha boca encostou na dela vi que talvez não fosse hétero como eu pensava", entrega.

A casa (quase) caiu

"Minha mãe descobriu, viu a gente se beijando. Achei que ela ia reagir com tranquilidade, porque nunca foi homofóbica, muito pelo contrário, sempre defendeu a causa LGBT, mas ela não quis aceitar. Disse que eu não era aquilo, que ela conhecia a filha dela e que sabia que era só uma 'fase', e que eu tava só 'experimentando'. Meu pai foi super de boa", revela Malu.

O pai de Sabrina também recebeu a notícia com naturalidade. A mãe, não. "Minha mãe sempre teve a mentalidade de que o homem foi feito pra mulher, e que mulher com mulher não era certo. Ela disse que não podia fazer nada, que a vida era minha, mas que não apoiava. Demorou muito pra ela começar a aceitar e se abrir para escutar sobre o meu relacionamento. Mas a Malu foi chegando aos poucos e hoje a relação dela com a minha família é super interessante. Minha avó, que sempre teve a mente muito fechada, hoje em dia ama a Malu!", entrega Sabrina. As duas se consideram bissexuais.

No meio do caminho tinha um intercâmbio

Bastante jovens – Malu tem 18 anos; Sabrina, 17 – as duas tiveram as primeiras grandes experiências da vida juntas. Sexo é uma delas. Relacionamento à distância, outra.

No melhor momento do namoro, quando as famílias já conheciam e aprovavam as respectivas noras, Malu tinha um intercâmbio programado para o México, onde moraria durante um ano. "Antes de ir, foram cinco meses em que não nos desgrudamos por nada. Eu só conseguia pensar que a cada dia eu a amava mais e quão doloroso seria ter que terminar isso", lembra.

Malu (à direita) com os pais, a namorada e os sogros antes da viagem de intercâmbio para o México  (Foto: Reprodução/Twitter)

"Meu primeiro mês no intercâmbio foi um dos mais tristes da minha vida. Minha adaptação foi difícil e as saudades de casa e da Sabrina eram absurdas. A gente se falava o dia todo, era 'te amo' atrás de 'te amo'. E os meses seguiram assim até que a gente começou a se afastar. A gente decidiu conversar sobre isso e abrir o relacionamento. Passamos meses com ele aberto. Depois as coisas foram fluindo melhor e fechamos o relacionamento de novo. Já tínhamos aprendido a lidar com a saudade e o turbilhão de sentimentos", expõe a estudante.

Juntas de novo

"A gente começou a ficar e na primeira semana já tava contando pros pais, pra tirar esse peso. A gente assumiu assim que perguntaram. Não ter que fazer nada escondido seria bem mais fácil" reflete Sabrina (Foto: Reprodução/Twitter)

"Estamos mais grudadas que nunca! Em março vai fazer dois anos desde que essa história começou e, sinceramente, foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Detalhe: hoje eu e a minha sogra somos um grude! Sou apaixonada por ela e acho muito bonito ver como as pessoas mudam. Sempre há esperança", pontua Malu.

Malu e Sabrina, que moram em São Paulo e terminaram o ensino médio recentemente, desejam manter a história como ela começou: estudando perto. "Eu pretendo fazer Publicidade e Marketing, e a Sabrina, Relações Públicas. Talvez na mesma faculdade, que é a Belas Artes."

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!

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