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“Sou uma mulher lésbica e não falava sobre isso na internet”, abre youtuber

Universa

05/02/2020 04h00

"Ser tratada como criança o tempo todo não é fácil", desabafa a youtuber Lorena Eltz, de 19 anos (Foto: Reprodução/Instagram)

"Você nunca vai crescer?", é a pergunta que a gaúcha Lorena Eltz, de 19 anos e 1,40m de altura mais ouviu na vida. Há cinco anos, como tantos outros adolescentes, ela decidiu criar um canal no YouTube para falar sobre o assunto e mostrar sua rotina. Deu certo. Com humor e leveza, de lá pra cá ela conquistou mais de 430 mil inscritos no YouTube e 80 mil seguidores no Instagram e no Twitter, onde brinca: "todas as pessoas baixinhas são maiores do que eu".

"Ser tratada como criança o tempo todo não é fácil" 

"Essa aí do lado é a Loreninha com 14 anos, super tímida, gravando seu primeiro vídeo no Youtube", lembra a produtora de conteúdo em uma publicação recente (Foto: Reprodução/Instagram)

"Não aparentar ter a idade que eu tenho coloca empecilhos em muitas áreas da minha vida. Em relacionamentos, ninguém nunca me tratou mal, mas já me trataram muito diferente. E principalmente as pessoas que não me conhecem, falam comigo como se eu fosse uma criança. Ser tratada como criança o tempo todo não é fácil. Numa época fui procurar emprego e foi bem difícil. Não sei se teria grandes oportunidades fora do ambiente virtual. Em restaurantes, as pessoas me dão cardápio infantil ou pedem meu documento caso eu peça alguma bebida. No transporte público, as pessoas já chegaram a perguntar se eu estava sozinha e cadê a minha mãe. São coisas que acontecem sempre", revela. Além de criadora de conteúdo, ela administra um brechó online de peças que usa e garimpa.

"Pela internet parece que eu sou uma pessoa baixinha e com uma carinha de mais jovem, mas pessoalmente é uma aparência mais jovem ainda e em restaurantes as pessoas me dão cardápio infantil" (Foto: Reprodução/Instagram)

Doença de Crohn

Lorena foi diagnosticada com Doença de Crohn, síndrome que afeta o sistema digestivo. Dentre uma série de sintomas, ela impede que o organismo absorva os nutrientes necessários para o crescimento e o desenvolvimento do corpo. Lorena só chegou à puberdade aos 17 anos. No vídeo em que aborda o assunto, "Como eu tenho 17 anos se pareço uma criança", atingiu uma audiência inimaginável: 4 milhões de visualizações. Toda essa visibilidade, Lorena coloca a serviço de outros temas, como sexualidade – ela é assumidamente lésbica.

"Eu sou uma mulher lésbica"

"Não aparentar ter a idade que tenho, principalmente agora que estou com quase 20, coloca empecilhos em muitas áreas da minha vida. Em relacionamentos, ninguém nunca me tratou mal, mas já me trataram muito diferente" (Foto: Reprodução/Instagram)

"Em 2017, quando me apaixonei e comecei a namorar uma menina, me abri com os meus seguidores. Eu queria compartilhar isso na internet. Até então, eu não tinha muito contato com a comunidade LGBT e nunca tinha pensado na possibilidade de ser lésbica. No início eu achava que eu era bissexual. Não sabia se eu gostava só de mulher ou se eu ainda gostava de homem. Eu não sabia nem se um dia eu já tinha gostado de homem ou não. Quando era mais nova, cheguei a ficar com um menino. Só beijei e, no primeiro beijo, não gostei. Depois disso, esqueci o assunto. Dos 16 pros 17 anos, comecei a sair mais e conheci meninas que eram lésbicas e meninos que eram gays. Isso começou a abrir a minha cabeça. Foi aí que eu me descobri. Comecei a perceber muitos sinais que eu tinha desde nova, quando falava coisas do tipo 'nunca quero casar' e 'não quero ter filhos', mas hoje percebo que é porque a vida de uma família heteronormativa não fazia sentido pra mim."

Liberdade virtual

"Hoje em dia a gente tá muito mais aberto pra falar, acho que ninguém mais consegue ficar muito tempo escondendo ou não falando sobre. Óbvio que não é todo mundo que vai militar em cima disso, mas a maioria das pessoas já está se sentindo mais livre, assim como muitos famosos estão fazendo. Mas, sinceramente, acho que esse ainda é um assunto mais 'virtual'. Na internet tá tudo muito bem, as pessoas estão mais abertas, elas assistem a vídeos de pessoas de todas as sexualidades, enfim, as pessoas não se importam tanto com isso. Mas na vida real, não acho que funcione assim. No dia a dia, quando você tem que, por exemplo, entender que o seu filho é homossexual, acredito que pesa, e as pessoas ainda estão fechadas pra isso", pontua.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!

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