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Amor em tempos de pandemia: três casais que se apaixonaram na quarentena

Universa

16/09/2020 04h00

A empresária Gleice Alves (à frente) e a personal trainer Kelly Pinheiro estão juntas há quatro meses e já planejam o casamento (Foto: Arquivo Pessoal)

Gleice e Kelly, de Florianópolis. Luiz e Skye, de Manaus. Diego e Patrícia, de Belo Horizonte. O que esses três casais têm em comum é o amor. Eles se apaixonaram durante a quarentena.

Todos conheceram seus respectivos mozões antes da pandemia; mas mantinham, basicamente, relações de amizade.

O que mudou completamente o rumo de cada uma dessas três histórias foi a escolha por estarem juntos nesse momento.

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Gleice e Kelly

"Terminei um namoro no começo do ano e tinha decidido ficar solteira por um bom tempo. Apesar disso, instalei o Tinder pra gastar alguns xavecos com pessoas de cidades vizinhas. Meses depois, já durante a quarentena, uma amiga me convenceu a limitar o alcance do aplicativo. Aí dei match com a Kelly. Estávamos a menos de um quilômetro de distância", lembra a empresária Gleice Alves, de Florianópolis, sobre o início do relacionamento com a personal trainer Kelly Pinheiro.

Gleice e Kelly: "Somos vizinhas e já estivemos em muitos rolês juntas, mas nunca tínhamos nos notado" (Foto: Arquivo Pessoal)

"Já tínhamos nos visto em vários rolês, desde 2013. Ela tem um cachorro cadeirante e, como somos vizinhas, sempre a via com o doguinho. Depois do match, começamos a conversar e marcamos um pôr do sol. Como boa lésbica que sou, levei no primeiro encontro um pavê, que é a sobremesa que ela mais gosta. No segundo, ela levou jaboticaba,  minha fruta preferida – e nem era época de jaboticaba. Depois disso ficamos em isolamento total por 24 dias, só na troca de nudes e de músicas de Anavitória e Lagum. Após esse período, apaixonadas, começamos a namorar. Quatro meses se passaram desde então e seguimos planejando o futuro com casa, casamento e lua de mel", entrega Gleice.

Luiz Guilherme e Skye

"Durante muito tempo ficamos com receio de 'estragar a amizade'", conta Luiz Guilherme (à frente) (Foto: Arquivo Pessoal)

Luiz Guilherme e Skye também se conheceram pela internet, quatro anos atrás. Ficaram algumas vezes e acabaram se tornando amigos. Até a pandemia.

"Ele se aproximou muito da minha família e estávamos sempre juntos, não só nos momentos festivos, mas também nas dificuldades. Durante muito tempo ficamos com receio de 'estragar a amizade'. No meio da pandemia, entretanto, vimos o quanto a vida pode ser curta e, após três meses sem nos vermos, nos encontramos em uma noite de sábado (sob forte proteção, com máscaras etc.) e nos pedimos em namoro ao mesmo tempo. O auge da reciprocidade", conta o jornalista Luiz Guilherme, de Manaus, sobre o namoro com vendedor Skye Rebelo.

Diego e Patrícia

Em Belo Horizonte, Diego e Patrícia decidiram tentar a sorte num aplicativo de paquera. "Demos match no dia 5 de fevereiro deste ano. Conversei com ela mesmo achando que era fake", conta o engenheiro, às gargalhadas. "Eu pensava: 'por que uma mina maravilhosa dessas tá rendendo conversa comigo?'. Passamos uns dez dias conversando e combinamos de encontrar num bar de rock", detalha ele.

Patrícia, que estava solteira há poucos meses, experimentava o app quando conheceu Diego.

"Conversamos bastante, então aí ele já começou ganhando pontos, porque eu valorizo conversas agradáveis. Vi que não era só um rostinho bonito. Acho importante dizer que tudo isso ocorreu numa fase turbulenta da minha vida – e nem cheguei na pandemia ainda! –, pois eu havia saído de um casamento. A decisão pelo fim do relacionamento foi fácil; difícil foi – e ainda está sendo – lidar com os estragos", explica ela.

"Acabei me apaixonando por ela não só pela beleza, mas por ser uma pessoa que nunca desiste da gente, que faz de tudo pra agradar e que sempre me apoia. Acho que nunca encontrei alguém que fosse tão legal comigo quanto ela é em toda minha vida. Eu consigo ver nas atitudes dela o quanto ela gosta de mim e eu dou muito valor pra isso, porque neste período ela não me vê arrumado, em plena dieta e na rua. Muito pelo contrário: ela me vê bagunçado, de pijama, acima do peso e surtado por conta de seis meses em casa", declara Diego.

"Ela gosta de mim pelo que eu sou. Está assistindo de camarote todos os meus defeitos e está do meu lado, e isso é uma das coisas que eu mais valorizo nas pessoas", declara o engenheiro civil Diego Victor Cezar (Foto: Arquivo Pessoal)

Patrícia Zorzi, que é advogada, salienta que o namorado é diferente de todas as pessoas que ela já conheceu, mas vê nisso uma vantagem. "Isso explica as inúmeras discussões (risos). E também me desafia. Fora que esteve comigo numa sequência de eventos turbulentos na minha vida me ouvindo, tentando fazer com que eu recuperasse minha energia e minha auto estima. Não posso dizer que já alcancei esse patamar, mas ele tem ajudado muito! É uma pessoa realmente especial. Não foi um simples match, foi alguém que Deus enviou para mostrar que independentemente de um relacionamento a dois propriamente dito, a vida não parou, que ainda existe honestidade, boas parcerias e bons seres humanos."

Fim dos jogos de desinteresse

A psicóloga Fernanda Portela explica que não há diferença entre os relacionamentos que começaram antes da quarentena e os que aconteceram durante esse período, mas que houveram mudanças.

"O distanciamento social serviu para eliminar os jogos de desinteresse (como demorar para responder, por exemplo). Fez com que as pessoas fossem mais sinceras e não tivessem tanto medo de se conectar. A troca com o outro serve de bálsamo, um acalento para o sofrimento que é se manter isolado de pessoas amadas", pontua.

Futuro

Para Fernanda, é importante que o diálogo construído nos relacionamentos se estenda. "Se conseguiram se adaptar à quarentena e ao isolamento, precisam generalizar essa habilidade de adaptação a outras adversidades que podem surgir na convivência. Quando caminharmos para o 'novo normal', as relações que sobreviveram a este período de quarentena vão sair mais fortalecidas; e os casais, mais unidos."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!