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Como é o sexo entre mulheres (spoiler: não é complicado)

Universa

18/03/2019 04h01

Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux, que protagonizaram o premiado "Azul É A Cor Mais Quente", lançado em 2013 (Foto: Reprodução/Instagram @mikaeljansson)

Na primeira vez em que conversei sobre sexo lésbico com uma amiga, eu estava cheia de dúvidas sobre o assunto porque não tinha transado com uma mulher ainda. Com homens, já, mas é diferente. Há milhares de referências que nos "prepara" para o momento: filmes, livros, séries… Para o sexo entre mulheres, haviam (e ainda há) poucas. Lá nos idos anos 2000, duas histórias lésbicas mexeram com o meu coração. O romance entre Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli), em "Mulheres Apaixonadas", novela de 2003, e Jenifer (Bárbara Borges) e Eleonora (Mylla Christie), de "Senhora do Destino", em 2004.

O casal teen Clara e Rafaela, de "Mulheres Apaixonadas", exibida em 2003 (Imagem: Reprodução)

O que as novelas da Globo exibiam de um jeito bem sutil, o seriado americano "The L Word" escancarou, mostrando a rotina de um grupo de amigas lésbicas e bissexuais de Los Angeles com muitas, muitas cenas de sexo e pegação. No ar de 2004 a 2009, o seriado se firmou como um dos produtos mais icônicos da TV.

The L Word reestreia no segundo semestre deste ano (Foto: Divulgação)

Aclamado, "The L Word" volta com o elenco original em oito episódios inéditos no segundo semestre deste ano e vai ser nostálgico assistir. Me entendi lésbica aos 16, e essas referências nas novelas e no seriado me ajudaram a me aceitar – o que não é um processo fácil, nem acontece de um dia para o outro.  Tanto tempo depois, ainda me pergunto o que, afinal, querem as lésbicas? O que esperam de um relacionamento? O que desejam na cama? E esbarro em mais interrogações que pontos finais.

Há 20 anos existia uma regra tácita de que as pessoas podiam transar depois de pelo menos três meses de namoro. Eu ouvia sobre isso e achava engraçado, porque sentia que era uma espécie de teste, um período experimental como o que os funcionários passam antes de serem oficialmente admitidos numa empresa. Mas pelo amor de Deus, não existe uma carteira a ser assinada num relacionamento!… Não existem horas a serem trabalhadas, nem funções exatas a serem exercidas. Quanto à remuneração, bem, sobre isso é possível dizer, basicamente, que é dando que se recebe.

Quase duas décadas depois da minha primeira vez com uma mulher entendi que é ok transar no primeiro encontro ou várias semanas ou meses depois. Tudo bem gostar muito de uma determinada posição com uma pessoa e não curtir tanto assim com outra. Nem toda mulher curte sexo oral – ou chupa gostoso. Se o beijo encaixa, é bem provável que a química entre os lençóis seja explosiva – mas nem sempre é assim. Há quem adore penetração com a língua, dedos ou brinquedos sexuais – e tem quem prefira estímulos mais clitorianos. É gostoso testar possibilidades e limites na cama. O sexo entre mulheres ora vai ser romântico como nas novelas, ora hardcore como nas cenas de "Azul É a Cor Mais Quente" – o controverso filme que, admito, foi um divisor de águas e me levou a ser mais ousada. Eu era careta e não sabia.

De cadeira, posso afirmar que há apenas uma regra para o sexo entre mulheres: consensualidade. O que vem depois é um misto de tesão, instinto e "repertórios" individuais – resultado das referências e das vivências de cada uma.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!