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Por que a saída do armário de Ludmilla é tão importante?

Universa

05/06/2019 04h26

Ludmilla e a namorada, a bailarina Brunna Gonçalves (Foto: Reprodução/Instagram)

No auge da carreira, a cantora de 24 anos de idade assumiu o namoro com a bailarina Brunna Gonçalves, 27, e causou um rebuliço na internet. Não se fala em outra coisa. Entre milhares de mensagens fofas com votos de felicidades ao casal, alguns comentários preconceituosos se destacam, destoantes, como essa pérola de puro recalque: "Está cada dia mais complicado entender este mundo dos 'artistas' (sic). É mulher não gostando mais de homens e homens não gostando mais de mulheres. Oh, céus! Oh, vida! É tanto desperdício.".

Sair do armário é um ato político

Em ascensão, com a agenda lotada e mais de 33 milhões de seguidores nas redes sociais, a carioca que estourou há sete anos com o hit "Fala Mal de Mim" já mostrou a que veio. Dona de um talento indiscutível como artista, Ludmilla surpreende ao revelar outra de suas qualidades: a coragem. Em tempos tão sombrios, enaltecer o amor é um ato político.

A cantora e a bailarina estão juntas há sete meses (Foto: Reprodução/Instagram)

Pai, sou lésbica

Dez anos atrás, aos 24, quando eu tinha a mesma idade que a Ludmilla tem hoje, contei pro meu pai que eu era lésbica. Não assim, com a calma e a tranquilidade de quem avisa que está indo à padaria. Foi tenso, pesado e aconteceu depois de anos tomando coragem e esperando pelo "melhor momento". Eu temia a reação dele, mas imaginava que o orgulho pelo meu êxito profissional fosse fazer alguma diferença, então adiei a conversa até a minha formatura. Não me recordo das palavras que escolhi, mas lembro com exatidão das que ele usou. "Eu não acho isso normal. Pra mim é uma doença. Se quiser, pago um tratamento psicológico pra você." E morremos um para o outro por um ano.

Quando nos reaproximamos, ainda bem resistente, ele comentou que se estivesse num restaurante e notasse um casal de mulheres na mesa ao lado, se levantaria imediatamente e iria embora. Foi uma punhalada. Nunca vivi essa situação, mas já fui afetada por olhares e cochichos de todos os tipos. Sutil ou descarado, o preconceito fica estampado na testa, gritante como um outdoor em neon onde se pode ler "você não é bem-vinda aqui". Passei anos sem andar de mãos dadas ou fazer um carinho no rosto da minha namorada em lugares públicos por medo. Até entender que mais que o direito, temos o dever de nos comportar como todos os outros casais, sem distinção.

Stonewall e a história do Orgulho LGBTQ+

Foi assim, pelo direito de existir e de se divertir, que surgiu o primeiro movimento de resistência LGBTQ+. Em 1969, há exatos 50 anos, os frequentadores do Stonewall Inn, um célebre bar nova yorquino, se rebelaram contra as excessivas batidas policiais no estabelecimento. À época, casas que atendiam clientes abertamente homossexuais não tinham licença para vender bebida alcóolica, o que motivava a distribuição ilícita e dava ares de legalidade às prisões efetuadas. A situação chegou ao limite em junho daquele ano quando policiais, clientes e funcionários do Stonewall se envolveram em um confronto que durou dias. A comunidade interveio e se manifestou favoravelmente à criação de leis antidiscriminação. Nos anos seguintes esse levante foi celebrado pelas ruas de Nova York e de todo o mundo, eternizando junho como o mês do Orgulho LGBTQ+.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!

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