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“Eu era hétero até me apaixonar por outra mulher”; veja quatro relatos

Universa

2003-01-20T19:18:25

03/01/2019 18h25

Cyndy, à esquerda e Renata namoram há um ano e meio (Foto: Arquivo Pessoal)

Destemidas, elas encararam a dúvida, o medo e o preconceito e encontraram o amor. Assumidamente lésbicas – ou sem rótulos –, essas quatro mulheres que contam suas histórias se definem, sobretudo, como mulheres felizes. Afinal é isso o que importa, não é mesmo?

"Nunca me imaginei com mulher"

"Nunca tinha me imaginado namorando uma mulher. Já tinha sido cantada por mulheres, mas sempre levei na brincadeira. Tive relacionamentos com homens e sofri horrores por falta de maturidade de um deles. Ao conhecer a Renata, minha namorada, nos tornamos amigas. Ela desabafava sobre a ex dela, e eu sobre meu ex. Era super engraçado ela ignorando mensagens e ligações, e eu também. Mas com o passar das semanas, por Whatsapp, desde o 'bom dia' até o 'boa noite', ela se tornou a coisa mais especial da minha vida. Em poucas semanas, eu tinha certeza de que estava apaixonada. Tive medo, sinceramente, por não saber o que ia acontecer. Tipo MEU DEUS! O QUE EU FAÇO AGORA?", lembra Cyndi França. Ela e Renata estão juntas há um ano e meio.

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Apesar de preferir não se identificar como lésbica, Cyndi se derrete pela namorada. "Joguei limpo dentro da minha casa sobre ela, todos sabem e adoram a pessoa que ela é. Se tornou parceira de cerveja da minha mãe, faz piada tonta para o meu pai rir e joga videogame com o meu irmão. Minha vida é mais feliz depois que conheci a Renata. Me tornei alguém melhor e mais forte. Acredito que rotular não é o correto, me apaixonei pela pessoa que ela é. Me entreguei e estou sendo feliz."

"Há cinco anos não fico com homens"

"Já faz mais de cinco anos que não tenho interesse por homens e só me apaixono por mulheres. Aos 26 anos, não tenho medo de dizer que eu amo pessoas", conta Daniele Pinheiro (Foto: Arquivo Pessoal)

Daniele se casou aos 16, porque estava grávida. "Achei que seria melhor que meu filho crescesse com o pai presente. Assim que dei à luz, começaram as brigas e traições por parte dele, e eu reencontrei uma amiga de escola. Por coincidência, ela morava perto da minha casa e eu a chamei para uma visita. No primeiro encontro, nós já nos beijamos e não paramos de nos falar. Tivemos um relacionamento extraconjugal do qual não me orgulho, mas foi com ela que descobri que não tinha problema amar outra mulher. Depois de um tempo, tive coragem de romper o meu relacionamento hétero e nunca mais tive outro. Já faz mais de cinco anos que não tenho interesse por homens e só me apaixono por mulheres. Aos 26 anos, não tenho medo de dizer que eu amo pessoas."

"Sou feliz como nunca fui"

Elen, à direita, e Bruna, estão juntas há seis anos (Foto: Arquivo Pessoal)

"Comecei a namorar (um homem) muito cedo, aos 14, e ficamos nove anos juntos. Nos casamos na igreja e tudo! Sempre achei que eu era 'diferente', mas não sabia o que era. Sempre tive atração por mulher, mas 15 anos atrás não era tão 'comum' quanto hoje, então eu ainda não tinha me descoberto. Só fui me entender quando tive amigas lésbicas. Me identifiquei e vi que eu era assim também. Foi aí que acabou acontecendo de eu ficar com uma mulher quando ainda era casada – sei que é errado, mas aconteceu. Fiquei casada por mais alguns meses, mas não dava mais, não era feliz, e finalmente descobri que não gostava de homem. Hoje sou casada com uma mulher há seis anos e dez meses e sou feliz como nunca fui", conta Elen, que namora Bruna.

"Me apaixonei perdidamente por ela"

"Provei os dois lados e consegui assumir, até pra mim mesma, que gosto de 'moçoilas'", diverte-se Ana Raquel Farias (Foto: Arquivo Pessoal)

"Namorei um rapaz por cinco anos. Tinha uma amizade com uma guria, lésbica assumida, e no ano em que eu e o guri decidimos noivar, viajei para o casamento de um casal de amigos que, por coincidência, eram amigos dela também. Foram três dias de festa numa chácara em comemoração ao casamento. Nos três dias, eu me apaixonei perdidamente por ela e assumi que já me sentia atraída há tempos, mas não queria trair o namorado", resume Ana Raquel.

Acontece que, ainda na festa de casamento dos amigos, ela descobriu que estava sendo traída. "Ele ficou na cidade 'a trabalho', levou uma pessoa pro nosso apartamento e ela mandou fotos para o meu e-mail. Fotos íntimas dos dois. Mas foi a traição que eu agradeço por ter acontecido, talvez sem ela eu não teria me assumido e estaria presa a um relacionamento que não me satisfazia. Terminei tudo por videochamada e continuei na chácara com ela por mais três dias. Foi então que eu tive a melhor e mais incrível noite de amor da vida! Namoramos por dois anos e então acabou. Ficamos amigas e eu me assumi lésbica. Provei os dois lados e consegui assumir, até pra mim mesma, que gosto de 'moçoilas'."

 

    ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

    Sobre a autora

    Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

    Sobre o blog

    Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!