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Agora aposentada, acompanhante bissexual desde 1980 conta seus segredos

Universa

15/09/2019 04h00

Agda, em 1980 (Foto: Reprodução/Twitter)

"Acompanhante bissexual desde 1980, agora aposentada". Sem firulas, é assim que Agda se apresenta no Twitter, onde compartilha detalhes íntimos e fotos ousadas. Criada há dois anos, a conta no microblog tem mais de 9.000 seguidores – e isso dá uma pista sobre a popularidade dela, que na rede é a @madurabi.

Natural da Dinamarca, Agda veio para o Brasil ainda criança, com os pais. "Eles eram muito simples. Chegamos e fomos morar no interior de São Paulo, em Limeira. Quando saí para estudar em São Paulo, tudo aconteceu", lembra ela, que atualmente mora em Curitiba e tem um filho e dois netos. "Me casei muito cedo. Engravidei aos 18. Meu marido tinha fantasias como orgias e me ver na cama com outras pessoas. Com o tempo, começamos a frequentar esses ambientes que nos anos 1970 e 1980 tinham muito glamour. Eu gostava. Mas aí veio uma época ruim em que ele me agredia e não aguentei mais a nossa relação. Meus 'programas', por assim dizer, aconteciam nesse universo mais elitizado. Foi assim durante anos, e então comecei a receber para participar das festas. Depois, alguns homens, casais e até mulheres começaram a me chamar para momentos mais privados."

"Sempre fui bem resolvida com o meu corpo. Me curto, pois sei que assim meus clientes irão me curtir também"  (Foto: Reprodução/Twitter)

Ao pôr fim ao casamento, Agda passou a se dedicar exclusivamente aos programas. "Nos anos 1980 e 1990 meus anúncios de jornal eram mais ou menos assim: 'Acompanhante de alto luxo para cavalheiros, damas e casais em residência com garagem em Moema. Realize sua fantasia ou deixe que eu crie umas para um encontro inesquecível'. Era brega, mas funcionava", conta, entre outras revelações picantes.

"Fiz muitos programas vestida de noiva. É uma fantasia muito comum" (Foto: Reprodução/Twitter)

Avaliando os 45 anos como acompanhante, Agda diz que a melhor parte é realizar fantasias. "Sexo anal é a primeira coisa a que uma acompanhante precisa se adaptar. Em quase todos os programas eles querem."

"Em 1989 atendi um grupo de políticos. Foram dois anos viajando por todo o país como assessora do governo. Sim, meu trabalho de assessoria era fora do expediente. Sim, até hoje isso existe."

"O melhor do sexo lésbico, além do sexo em si, são as deliciosas conversas de bobeira, nuas na cama."

"Tive algumas rejeições de homens e mulheres. Sou totalmente sedentária. Mas tem o outro lado também, o fetiche por maduras e bissexuais. Chove gente!"

A pior parte, diz, são os clichês: "falta de higiene, de educação, agressividade… Mas o que mais me incomodou nesses anos todos, por conta de ter vários clientes fixos, foi o assédio pra viver junto, casar, fugir". Contraditoriamente, a paixão arrebatadora por uma cliente, Carla, com quem se relaciona há dois anos, foi o principal motivo para que ela abandonasse a longa carreira. "Resolvi antecipar minha aposentadoria dos programas. Estou feliz com uma pessoa relativamente da minha idade e quero me dedicar totalmente a ela", abre, sobre o romance apimentado. "Quem disse que depois dos 60 não se tem mais sexo selvagem?", provoca, aos 65 de idade.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!

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