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"Onde estava sua cabeça quando se casou?"

Universa

09/10/2019 04h00

O dia do meu casamento foi um dos mais divertidos da minha vida (Foto: Glau Lima)

Há poucos dias me fizeram essa pergunta assim, no seco, pelo Instagram. Sem "bom dia, boa tarde, boa noite" antes. Sem "oi, tudo bem?", sem nada. Fiquei meio aturdida. Sem a entonação da voz, não deu pra saber se foi em tom de curiosidade ou de ataque. Desconhecendo a dona da frase (que tinha o perfil trancado), era impossível descobrir se era uma brincadeira ou se ela falava sério. No impulso, bloqueei. Me casei e fomos muito felizes até o dia em que deixamos de ser. Nos separamos há três anos.

"The zueira never ends": a bênção das alianças foi feita com um misturador de caipirinha por um amigo humorista (Foto: Glau Lima)

A mensagem foi deixada exatamente na semana em que eu organizava a minha mudança de casa. Depois de dez anos em São Paulo, quis mudar o ritmo da vida e morar na praia. Bom, quem já fez a própria mudança sabe que papeis, bilhetes, cartas, contratos e recibos brotam do além! As coisas simplesmente se materializaram nos armários e nos dois guarda-roupas do apezinho de 50 metros quadrados em que vivi por anos casada e depois separada.

Faria tudo de novo

Da certidão de casamento a uma receita de brownie com um "te amo" no final, entre vários outros objetos que eu nem lembrava que existiam mais, tudo tava ali na minha frente perguntando "e então, qual vai ser?". E eu não sabia. Sentei e abri um vinho enquanto olhava o álbum da festa. Eu não gostava de vinho naquela época – mas era viciada em fast food e tinha muitos quilos a mais.

No dia da cerimônia, o zíper do meu vestido arrebentou. Entrei em desespero. Minha concunhada, que é figurinista, costurou à mão às pressas, e no fim deu tudo certo. A noite tava linda e foi divertidíssima. Da nossa entrada com o músico tocando Anitta no violino, até o amanhecer em que dancei capoeira, quebrei o tampo de vidro de uma mesa e sobrevivi sem um arranhãozinho, foi especial. E eu faria tudo de novo.

No Brasil, um em cada três casamentos termina em divórcio

Fecho o álbum e reparo na bagunça ao redor. Um dos meus gatinhos brinca com papeis enquanto os outros dois dormem tranquilos no sofá. Parece que tudo o que aconteceu antes foi em outra vida. No Brasil, um em cada três casamentos termina em divórcio. O dado faz parte do levantamento mais recente do IBGE. Onde estava a minha cabeça quando me casei? Exatamente no mesmo lugar em que estava quando me separei, que coincidentemente é o mesmo em que está hoje: em cima do pescoço. Isso não mudou. Já os meus cabelos…

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!

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