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Sucesso nas redes, Armário de Saia é a dupla drag mais bombada do país

Universa

12/08/2020 04h00

Gregory Mhod, 25, e Wesley Araújo, 23, são o Armário de Saia, duo drag mais famoso do país (Foto: Reprodução/Instagram)

Dois anos atrás, numa brincadeira despretensiosa, os amigos GragWes ecidiram gravar um vídeo e postar no Facebook. Atores e cantores profissionais, com carreiras sólidas no teatro, especialmente em musicais, eles sabiam o que estavam fazendo.

Só não esperavam o retorno tão rápido da internet e uma ascenção vertiginosa ao sucesso.

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O começo

O primeiro vídeo teve 5.000 likes; o segundo, 35 mil; o terceiro, 55 mil e, hoje com mais 11 milhões de reproduções no YouTube, eles são dupla drag mais popular do país, a Armário de Saia.

Sorte com os algoritmos? Destino? Um toquezinho celestial? Talvez uma pitada de cada e, claro, muito trabalho.

"Nasci na igreja evangélica e sempre tive muito contato com a arte. Quando eu tinha 14 anos, fiz meu primeiro trabalho artístico remunerado. Todo meu sustento vem da arte, desde pequeno. Moro em Canela, no Rio Grande do Sul e, do lado, em Gramado, existe o 'Natal Luz' e outros espetáculos que sempre sonhei fazer e consegui, graças a muita persistência", lembra Grag.

"Antes eu só fazia personagens, não agia como militante ativa. É muito doido ver a diferença entre ser um artista LGBT, e ser apenas um artista LGBT fazendo personagens que não são do nosso meio. Agora sobe no trio pra gritar a tua existência! Isso é muito legal", reflete Grag (Foto: Reprodução/Instagram)

"Eu não nasci cantando. Não nasci bonita, com um dom. Desenvolvi a música e sempre fui ator antes de ser cantor. Meu pai, que é músico, nunca foi de me apoiar, de me incentivar. Inclusive, era o primeiro a dizer que tava desafinado, que tava ruim, que eu não servia. Hoje sou muito grato por ter usado todos os insultos dele como uma mola propulsora. E foi uma sorte, nem sempre acontece isso, às vezes as pessoas se frustram mesmo. Mas graças às circunstâncias, eu disse: 'então tá, vou fazer 300% se for o caso!'", recorda, sobre a infância e a adolescência na serra gaúcha.

A dupla tem mais de meio milhão de seguidores nas redes sociais (Foto: Reprodução/Instagram)

Liberdade

"Aos 18, acabei viajando pra Nova York. Passei numa audição pra fazer um conservatório off-Broadway lá. Fiz algumas montagens, fiz o Simba (do Rei Leão), aprendi inglês. Fiquei três meses. Foi onde me libertei", entrega.

De volta ao Brasil, Grag e Wes estreitaram os laços de amizade trabalhando juntos na mesma companhia teatral. Os dois já se conheciam desde os 15 anos, mas tinham perdido contato.

Outra vida

"Eu sou cabeleireiro e maquiador, acabei tendo uma outra vida. Fui pra esse ramo de salão, casei… E quando fiz 18 anos de idade, entrei no espetáculo. Aí o Grag voltou, trabalhávamos pra mesma empresa, tínhamos vários amigos em comum e a gente começou a ficar mais próximo. Eu já tinha cantado na igreja, mas de forma amadora. Tenho cinco anos de carreira, de fato, com meu primeiro contrato assinado como cantor na companhia. Aí as coisas começaram a mudar. Comecei a buscar mais, a me reconhecer como cantor, me colocar dessa forma e me profissionalizar", conta Wes.

"Pouco antes da quarentena gente tinha recém-lançado um clipe e tava chegando proposta de show, a gente tava fechando agenda… E daí, boom! Pandemia. A gente tá esperando pra voltar a viajar, pra gente fazer o nossos shows com músicas novas", diz Wes  (Foto: Reprodução/Instagram)

Beyoncé e Liniker como inspirações

"Nos primeiros vídeos, ainda pro Facebook, a gente se maquiou de boy, de barba e tudo, bem non-binary, e gravou um cover da Beyoncé. A gente não era drag, isso é imporante. Até que a gente começou a endoidecer e fez um medley (junção de várias músicas em uma) da Liniker. A gente começou a entender que gostava de fazer medleys e sabia que isso chamava a atenção", observa Grag, sobre os primeiros passos da dupla.

E completa: "Pra fazer o medley da Liniker, a gente botou flor na cabeça, chapéu… Bem non-binary também, porque na época a Liniker não tinha transicionado. E a gente se vestiu meio Liniker. E quandofez um medley de drag, a gente se vestiu de drag."

A dupla em performance pra lá de quente (Foto: Reprodução/Instagram)

Assumidamente gays, Grag e Wes sempre falaram abertamente sobre o assunto, e se orgulham de serem referências como artistas LGBTQIA+.

"A gente era muito ingênua de não saber o que acontecia depois de construir um trabalho na internet. O que acontece? O que vem depois? A gente não sabia, então era tudo deslumbrante: os números, as coisas… Era uma sensação de garotinha farm girl do interior que se depara com milhares de pessoas vendo um trabalho que você fez. Aquelas gayzinhas, que foram rejeitadas na escola, sendo aceitas e as pessoas elogiando: 'ai, lacre!', 'babadeiras!', 'incríveis!'. Com esse histórico de rejeição, é muito bom ouvir isso, é muito gostoso", celebra Wes.

Ainda sobre a importância da representatividade, ele pontua: "O que me fez entender que estava fazendo algo impactante foi ver as pessoas fazendo coisas extremamente doidas pra estar perto da gente. Alguns fãs já viajaram vários estados pra ir num show nosso. A gente também recebe muitas mensagens de pessoas que contam que a vó viu a gente e falou: 'olha essas drags cantando gospel, que legal!' e isso  abriu a família para um diálogo sobre sexualidade. Isso é muito bacana."

Produção durante a pandemia

Na quarentena, além de vídeos divertidos, como os desafios do TikTok, e lives para incentivar a permanência dos fãs em casa, a dupla não para de produzir. "A gente tá tentando não endoidecer, porque a quarentena afeta muito o nosso psicológico. Uma das coisas que a gente sempre fala quando dupla é isso, nos momentos mais difíceis que a gente passou, ao menos a gente não tava sozinha, tinha essa outra pessoa ali do lado. A gente tá vivendo um dia de cada vez, sim, porém mirando lá na frente", contam.

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FALA VOCÊS!!! Qual Tipo de Cantor você é? Eu descobri que sou todos juntos e to preocupada hahahah❤️ #tiposdecantores

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!