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Vai propor uma fantasia sexual? Tenha entrosamento, planejamento e plano B

Universa

2026-12-20T18:05:00

26/12/2018 05h00

Getty Images

Sair da rotina e experimentar novidades na cama (e em uma infinidade de outros lugares) pode ser gostoso e saudável, mas, na prática, as coisas nem sempre acontecem como esperadas. Talvez você nunca tenha parado pra pensar nisso, mas para que algumas fantasias sexuais deem certo é preciso entrosamento, planejamento e até um plano B.

Ao partir para seu primeiro ménage, Andressa*, que é carioca, não teve muita "sorte". Recentemente, um encontro despretencioso de amigos surfistas na praia terminou no banheiro de seu apartamento com ela e um colega transando com uma garota – e o final foi catastrófico. "Várias pessoas estavam no apartamento, então fomos pro banheiro de empregada. Meu amigo estava fazendo penetração anal nela, e eu, vaginal, só que ela começou a pedir pra eu bater na cara dela. Eu comecei a bater e, quanto mais rápido íamos, mais ela pedia. Teve um momento em que dei três tapas no rosto dela e isso acabou me broxando, porque me pareceu que ela não estava fazendo aquilo pra sentir prazer, tava nítido, e eu, por ser lésbica, não estava sentindo prazer algum naquela situação. Conclusão: parei o ménage no meio, vi que não tinha tesão nisso e fui embora", lembra.

Com Daniela*, que mora em Santos e namora há cinco anos, a experiência a três foi diferente – e tão boa que ela pretende repetir. "Já fiz ménage, foi ótimo, mas senti que faltou algo. Meu fetiche mesmo era ver a minha parceira com outra pessoa sem que eu participasse (prática conhecida como cuckold). Não rolou ciúmes porque foi algo bem conversado antes. A regra que mais prezei foi que ela não tivesse nenhum contato com a pessoa depois, pra não dar brechas pra algo além. Foi com um cara, um ex-namorado meu de muito tempo atrás, de uma época em que eu ainda achava que era hétero. Tive a ideia de chamá-lo e ele aceitou na hora. Minha namorada é bi e eu sou lésbica. Tenho vontade de vê-la com outra mulher também, mas ainda não rolou a oportunidade. Acredito que o tempo de namoro facilitou muito, pela questão da confiança."

Foto: Mahrael Boutros/Unsplash

Entrosamento e planejamento

A sexóloga Carla Cecarello explica que para realizar fantasias que envolvam outras pessoas, o casal tem que estar muito bem entrosado, em todos os sentidos, e tem que conversar seriamente sobre ciúmes e se um não está apenas querendo agradar o outro: "Tudo tem que ser levado em consideração. Se o relacionamento está por um fio e vai pra uma prática como essa, aí o negócio acaba de entortar mesmo, porque inevitavelmente surgem comparações com o desempenho, o corpo, a intensidade do prazer. É importante que o casal esteja de comum acordo sobre a pessoa ou as pessoas que vão participar, além de combinar o local, se flat, motel ou casa, para que se sinta o mais à vontade possível."

Natália* vive um relacionamento aberto há quase um ano "a gente não namora, ela sai com quem quer, e eu também", mas certos fetiches elas só realizam juntas. "Já fizemos pequenos cortes com lâminas em algumas partes do corpo, só pela ardência que causa. Curtimos amarrar com cordas e derramar cera de vela na barriga. Também gostamos de transar em lugares aleatórios como capô do carro, moto, escadaria, pista de pouso de avião, laje… Desde o começo, quando nos conhecemos, as ideias bateram. Começamos a falar desses gostos peculiares e ela nunca tinha achado alguém que gostasse disso, e eu também não, aí começamos a colocar nossa imaginação em prática", conta.

Sobre fantasias ligadas ao BDSM (bondage, dominação, sadismo e masoquismo), ou o uso de lâminas, a sexóloga alerta para alguns cuidados. "É uma prática bastante perigosa, você precisa estar com uma parceria que esteja muito afinada pra fazer esse tipo de coisa. O que precisa ser conversado antes: primeiro, que as lâminas precisam ser próprias, não podem ser utilizadas lâminas de outras pessoas. Além disso, uma palavra de segurança precisa ser combinada entre o casal e, quando falada, o outro tem que parar imediatamente, mesmo que esteja no momento de um orgasmo, do pico de um prazer. Também é preciso acordar, por exemplo, o tipo de corte e em que local ele pode ser feito. Tem pessoas que preferem um determinado local, às vezes é o braço, a coxa, a própria vagina, a cabeça do pênis, enfim. Todos esses detalhes precisam ser combinados antes."

Plano B

A sexóloga aconselha que o casal converse muito sobre as fantasias antes de colocá-las em prática "se um estiver inseguro ou apresentar uma pontinha de dúvida, é melhor não ir." E se, mesmo assim, bater um arrependimento depois? Carla Cecarello responde, enfática: "Aí o negócio é partir pra uma boa terapia!".

*Nomes fictícios para preservar a identidade das entrevistadas.

Carla Cecarello é psicóloga, sexóloga e palestrante

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Sobre o blog

Um espaço para falar de amor, sexo, comportamento feminino e feminismo com leveza e humor. Tudo sob o olhar de uma mulher esperta, que gosta de mulheres tão espertas quanto ela!